Quase 60% dos brasileiros têm medo de serem agredidos fisicamente pela sua escolha política ou partidária em 2026. Essa preocupação chega a ser maior do que ser vítima de agressão física por parceiros (42,2%) ou andar pela vizinhança depois de anoitecer (47,6%).
É o que indica a Pesquisa Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2026, elaborado em parceria com o Datafolha. O estudo reitera que 96,2% da população brasileira com 16 anos ou mais sente insegurança física, patrimonial ou financeira.
Para o relatório, o medo precisa ser mais bem compreendido, visto que é o fator causal que precisa ser analisado na formulação e proposição de políticas públicas que efetivamente consigam interagir com as expectativas da população acerca dos significados de lei, ordem e segurança pública.
E deve ser esse mesmo medo — e não dados ou argumentos racionais — que determinará as escolhas eleitorais em outubro de 2026, de acordo com a análise.
“O medo é o mecanismo que organiza o cotidiano da população em seu ir e vir e modula a percepção em relação ao Estado. E para além de leituras genéricas, os dados indicam que este medo é desigualmente distribuído, com clivagens importantes por sexo e classe social”, diz a pesquisa.
Em 2022, o medo de ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária, que era de 68% em 2022, agora é de 60%.
Brasil em polarização política
O estudo evidencia uma questão que já está sendo analisado nas pesquisas de intenção de voto: o país está polarizado. A disputa ao Palácio do Planalto em 2026 parece estar previamente definida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A pesquisa mais recente da Real Time Big Data sobre as perspectivas para as eleições de 2026, divulgada na última terça-feira (05), aponta a possibilidade de empate técnico entre os dois. Os resultados mostram que o pré-candidato de direta aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o atual chefe do Executivo garante 43% no cenário eleitoral.
Nas últimas pesquisas sobre o cenário eleitoral na disputa presidencial, os dois nomes já apareciam com empate técnico — esse movimento foi observado após a queda de popularidade do presidente Lula.
Em abril, a pesquisa Meio/Ideia divulgou que Flávio Bolsonaro alcançava 45,8% dos votos, enquanto o petista aparecia com 45,5%, resultado que se manteve em relação ao divulgado em março.
Já no estado de São Paulo, importante colégio eleitoral durante as eleições gerais, a pesquisa Atlas/Estadão identificou que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nas intenções de votos, o que reforça as expectativas de que o principal embate deve se concentrar entre os dois pré-candidatos.
Esse cenário deixa quase impossível de uma terceira via atingir grandes públicos até outubro.
O principal fator por trás do enfraquecimento de novos nomes no cenário político é o reflexo do aumento da polarização.
Ao O Brasilianista, o coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, Ariel Calmon, explicou que o contexto atual é de fragmentação do centro político, o que impede o crescimento de novas candidaturas.

