A escalada do conflito no Oriente Médio provocou mudanças no mercado internacional de petróleo e combustíveis, afetando diretamente o Brasil. O aumento das tensões na região elevou preocupações sobre as rotas comerciais, o preço do barril e o abastecimento global de diesel, combustível essencial para atividades como transportes e logística.
Com isso, a Rússia se tornou a principal exportadora de diesel para o Brasil durante a escalada da guerra no Oriente Médio. De acordo com a Agência Brasil, o país europeu respondeu por mais de 81% de todo o diesel importado pelos brasileiros entre março e abril deste ano.
Os números mostram uma mudança importante no mercado de combustíveis brasileiro. O Brasil importou US$ 1,76 bilhão em diesel no período, sendo US$ 1,43 bilhão apenas da Rússia. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com participação bem menor, equivalente a pouco mais de 6% das compras externas.
A dependência aumentou ainda mais em abril. No mês, quase 90% do diesel comprado pelo Brasil veio da Rússia, enquanto os norte-americanos responderam por cerca de 11% das importações.
Guerra no Oriente Médio mudou rota do combustível
Antes do agravamento do conflito envolvendo o Irã, parte significativa do diesel importado pelo Brasil vinha de países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. No entanto, as tensões na região afetaram as rotas comerciais, elevaram os custos logísticos e aumentaram a insegurança no mercado internacional de petróleo.
Com isso, o diesel russo passou a ocupar espaço ainda maior nas compras brasileiras. A Rússia já vinha ampliando sua presença no mercado internacional de combustíveis desde as sanções impostas por países ocidentais após a guerra na Ucrânia.
Os dados mostram uma escalada rápida nas importações brasileiras. Em fevereiro, o Brasil havia comprado cerca de US$ 433 milhões em diesel russo. Em março, o valor passou de US$ 500 milhões e, em abril, ficou próximo de US$ 1 bilhão.
Governo tentou conter impacto no preço do diesel
A alta internacional do petróleo e do diesel também pressionou os preços no Brasil. Para tentar reduzir os impactos sobre consumidores e transportadores, o governo federal anunciou medidas emergenciais nos últimos meses.
Uma medida provisória liberou R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização do combustível. Além disso, o governo zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para tentar evitar aumentos ainda maiores nas bombas.
Biodiesel ganha força como alternativa
Em meio à alta do petróleo e à dependência crescente do diesel importado, o governo federal também passou a defender o fortalecimento do biodiesel como estratégia para reduzir os impactos de crises internacionais no mercado brasileiro.
Conforme foi publicado no O Brasilianista, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que ampliar a produção nacional de biocombustíveis ajuda a diminuir a exposição do país à geopolítica mundial.
Durante o lançamento da Aliança Biodiesel, iniciativa formada por entidades do setor de biocombustíveis, Alckmin destacou que o Brasil possui vantagens estratégicas por já utilizar grandes percentuais de combustíveis renováveis.
Segundo Alckmin, o biodiesel se torna ainda mais importante em momentos de conflitos internacionais que afetam diretamente o preço do petróleo e do diesel no mercado global.
O biodiesel é produzido a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, e pode substituir parcialmente o diesel fóssil utilizado em caminhões, tratores e veículos de carga. Além de reduzir a dependência externa, o governo também defende que o combustível ajuda a movimentar a cadeia agrícola brasileira e reduzir as emissões de poluentes.

