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Economia

Grupo dono da Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial após registrar dívida bilionária

Companhia afirma que juros elevados, crédito restritivo e queda no consumo pressionaram o caixa

Grupo dono da Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial após registrar dívida bilionária

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial após acumular uma dívida de cerca de R$ 1,1 bilhão e enfrentar dificuldades para reorganizar seu passivo financeiro.

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O processo foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo e ocorre em meio a um ambiente de juros elevados, restrição de crédito e desaceleração do consumo no varejo.

Segundo comunicado divulgado pela própria companhia, o conselho de administração autorizou o ajuizamento “em caráter de urgência” para preservar as operações, proteger a liquidez e permitir uma reestruturação financeira ordenada.

O grupo afirmou que o desempenho das vendas ficou abaixo do esperado diante da piora das condições macroeconômicas e da redução da confiança do consumidor.

De acordo com o Grupo Toky, além da pressão sobre o consumo, a companhia também enfrentou impactos provocados por restrições temporárias nos níveis de estoque, o que agravou a situação de caixa no curto prazo.

A empresa afirmou ainda que vinha tentando renegociar suas dívidas junto aos credores, mas avaliou que seriam necessárias medidas adicionais para evitar um agravamento da crise financeira.

Pedido inclui Tok&Stok, Mobly e outras empresas do grupo

O advogado especialista em recuperação e reestruturação de empresas e sócio do BBMOV Advogados, Rodrigo Spinelli, afirma que o caso chama atenção porque envolve não apenas a Tok&Stok, mas também a Mobly e outras empresas ligadas ao grupo econômico.

“Empresas que, inclusive, já haviam recorrido anteriormente à recuperação extrajudicial, com plano homologado em 2024”, explica.

O especialista destaca ainda que houve ampliação do número de empresas incluídas no polo ativo do processo, movimento que pode impactar diretamente a estrutura de negociação com os credores.

O advogado também avalia que um dos pontos mais relevantes do pedido está na forma escolhida para a tramitação judicial.

“O pedido foi formulado com consolidação processual, e não com consolidação substancial. Essa diferença é muito relevante tecnicamente”, afirma.

Segundo ele, a consolidação processual permite que as empresas ingressem juntas na recuperação, mas preserva a separação patrimonial e a individualização das dívidas de cada companhia.

Grupo tenta antecipar proteção judicial

Para Rodrigo Spinelli, outro aspecto relevante envolve o pedido cautelar apresentado pelo grupo para tentar antecipar os efeitos protetivos da recuperação judicial.

“Na prática, é uma tentativa de evitar que a demora na análise inicial comprometa ainda mais a operação empresarial”, explica o especialista.

O advogado afirma que o grupo busca garantir imediatamente mecanismos de proteção previstos na legislação, especialmente o chamado “stay period”, período de 180 dias em que execuções e cobranças ficam suspensas enquanto a Justiça analisa o caso.

O pedido foi formulado com base no artigo 6º, parágrafo 12, da Lei de Recuperação Judicial.

De acordo com o comunicado oficial do Grupo Toky, o objetivo da recuperação judicial é preservar as atividades da companhia, manter os serviços prestados pelas controladas e criar condições para negociar soluções junto a credores, trabalhadores, acionistas e demais partes envolvidas no processo.

Bloqueio de recebíveis elevou pressão sobre caixa

Rodrigo Spinelli destaca que a situação financeira do grupo se agravou diante do bloqueio de recursos considerados essenciais para a operação das varejistas.

“O grupo relata que estaria sofrendo bloqueios e retenções de aproximadamente R$ 77 milhões em contas e recebíveis pela SRM, o que impactaria diretamente o fluxo de caixa, o capital de giro e a capacidade operacional das empresas”, afirma.

Segundo o especialista, o caixa costuma ser o principal fator de sobrevivência em recuperações judiciais envolvendo grandes varejistas.

Ele explica que empresas com operação ainda ativa podem enfrentar dificuldades imediatas caso percam acesso a recursos de curto prazo utilizados para abastecimento de estoque, logística e pagamento de fornecedores.

No comunicado ao mercado, o Grupo Toky informou que pretende manter acionistas e investidores atualizados sobre os desdobramentos do processo.

A companhia também afirmou que todos os documentos exigidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) serão divulgados em seus canais oficiais e na B3.

Número de recuperações judiciais segue em alta

Segundo levantamento citado pelo O Brasilianista, o número de empresas em recuperação judicial atingiu em 2025 o maior patamar da série histórica.

2.466 empresas entraram em processos de recuperação judicial no último ano, alta de 13% em relação a 2024.

Rodrigo Spinelli afirma ainda que o mercado precisa diferenciar o protocolo do pedido da efetiva aprovação da recuperação judicial.

“Até este momento, não existe recuperação judicial deferida. O que existe é apenas o protocolo do pedido”, explica.

Segundo o advogado, o Judiciário ainda irá analisar os requisitos legais, a eventual necessidade de constatação prévia e os pedidos de tutela apresentados pelo grupo antes de decidir se o processo terá prosseguimento formal na Justiça.

Confira o comunicado na íntegra

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