O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, têm reunião marcada nesta quarta-feira (13), em que devem discutir sobre as relações bilaterais entre as duas maiores economias globais.
O cenário, no entanto, é mais delicado do que a última visita oficial dos dois países, em 2017. Agora, EUA está em guerra com o Irã, que é um dos principais parceiros comerciais da China, em especial na relação com o petróleo e demanda energética.
Ao mesmo tempo que possui uma vantagem competitiva com o envio de petróleo do Irã, o país não consegue se indispor em larga escala contra os EUA para evitar novos conflitos ou sanções.
Ainda assim, quem “manda nas cartas” é a China — um dos motivos para a reunião estar sendo realizada em Pequim. A percepção de que o país asiático mantém uma espécie de “mão invisível” sobre os preços do petróleo aumenta com novos dados de consumo da nação.
China maneja a oferta
Segundo um levantamento da Vortex, as importações marítimas de petróleo bruto para a China reduziram para cerca de 8,4 milhões de barris por dia (mbd), o nível mais baixo desde setembro de 2022. Isso se compara a uma média de 11,1 mbd no primeiro trimestre e aproximadamente 10,6 mbd ao longo de 2025.
O movimento é justificado pelas interrupções do Estreito de Ormuz, principal passagem de petróleo do mundo, controlada pelo Irã.
Porém, os chineses já vinham prevendo o movimento de tensão no Oriente Médio e começaram a inverter a balança comercial. Menores importações e consumo, enquanto o estoque de petróleo aumentava e as exportações de combustíveis seguiram funcionando — ainda que de forma arrefecida.
Os estoques de petróleo bruto acima do solo atingiram o recorde de 1,24 bilhão de barris, com a produção ainda em torno de 580 mil barris por dia em abril, ainda segundo a Vortex.
As refinarias, principalmente aquelas que dependem muito do petróleo bruto transportado por via marítima e com reservas de estoque relativamente menores, responderam à crise reduzindo a produção já no início de março, em alguns casos antecipando a manutenção sazonal.
Com alto estoque e redução das exportações, as reservas da commodity aumentaram ainda mais e, no futuro, a China vai tentar liquidar o excesso de estoque. Ou seja, a China passou a controlar a oferta de petróleo, mesmo sem ser produtora da commodity.
Principais fornecedores de petróleo para a China
Uma das formas com a qual a China seguiu importando petróleo foi sua vasta gama de fornecedores. Apesar de boa parte das importações virem de países do Oriente Médio, o país ainda tem a Rússia como segundo maior fornecedor, de acordo com dados da Visual Capitalist, de 2024.
A importação com benefícios fiscais, como descontos e isenções de tributação, facilitaram essa mudança. A China ainda recebe bastante petróleo da América do Sul e Central, além dos EUA.
Importações de Petróleo Bruto da China em 2024 body { font-family: Arial, sans-serif; margin: 30px; background: #f8f9fa; color: #222; } h2 { text-align: center; margin-bottom: 8px; } .subtitle { text-align: center; color: #666; margin-bottom: 25px; } table { width: 100%; border-collapse: collapse; background: #fff; box-shadow: 0 4px 12px rgba(0,0,0,0.08); } th, td { padding: 14px; text-align: left; border-bottom: 1px solid #ddd; } th { background: #1f3b57; color: white; } tr:hover { background: #f2f6fa; } .num { text-align: right; font-weight: bold; } .total { background: #eaf4ff; font-weight: bold; }Importações de Petróleo Bruto da China em 2024
Volume médio diário em barris por dia (bpd)
Posição País / Região Volume (bpd) 1Países do Oriente Médio (Irã, Omã, Catar e Bahrein)2.436.000 2Rússia2.175.000 3Arábia Saudita1.576.000 4Iraque1.279.000 5América do Sul e Central1.055.000 6África Ocidental934.000 7Emirados Árabes Unidos712.000 8Kuwait321.000 9Estados Unidos192.000 10Canadá184.000 11Europa82.000 12Outros países da Ásia-Pacífico42.000 13Outros40.000 14Norte da África36.000 15México20.000 16Austrália12.000 17Leste e Sul da África10.000 TOTAL11.108.000*Inclui: Irã, Omã, Catar e Bahrein
Fonte: Energy Institute – Statistical Review of World Energy 2025
China se mantém discreta
Em dois meses de guerra, a China manteve posição cautelosa e discreta em relação aos principais envolvidos no conflito.
O movimento é visto como uma estratégia de se posicionar como uma espécie de pacificadora, ao mesmo tempo em que busca manter distância da guerra.
Dessa forma, a China coloca como prioridade evitar qualquer tensão com Washington, ao mesmo tempo que procura se apresentar como uma grande responsável pela pacificação do conflito.

