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Geopolítica

Por que encontro entre Trump e Xi Jinping “nasce morto”?

Reunião entre presidente dos EUA e líder chinês ocorre em meio a guerra comercial, pressão econômica, disputa tecnológica e conflitos no Oriente Médio

Por que encontro entre Trump e Xi Jinping “nasce morto”?

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, previsto para esta semana, acontece em meio a um cenário de disputas geopolíticas que reduziram as expectativas de avanços concretos entre as duas maiores economias do planeta.

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Especialista avaliam que a reunião tende a produzir gestos diplomáticos limitados, mas sem resolver os principais pontos de conflito entre Washington e Pequim.

Segundo Rodolfo Laterza, mestre em Segurança Pública, especialista em Ciência Política, Sistemas de Segurança e Defesa, historiador e analista em geopolítica, o encontro ocorre em um momento no qual os interesses estratégicos dos dois países permanecem incompatíveis em temas centrais.

“Trump precisa evitar perder a face nas negociações, evitar perder sua posição e, ao mesmo tempo, evitar um rompimento total com o presidente chinês Xi Jinping”, afirma.

De acordo com o especialista, a China chega ao encontro em posição mais confortável no curto prazo devido ao desgaste internacional dos Estados Unidos provocado pelos conflitos envolvendo Irã, Israel e Ucrânia.

Ao mesmo tempo, Pequim busca evitar uma escalada mais agressiva da disputa comercial e tecnológica com Washington.

Guerra tarifária ampliou desgaste econômico

Segundo Rodolfo Laterza, a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos no ano passado trouxe impactos para ambos os países, mas atingiu principalmente as cadeias de produção e consumo americanas.

“Nos primeiros quatro meses de 2026, o comércio caiu mais de 10%. A atividade de investimento também foi seriamente afetada”, explica.

O especialista afirma que Trump enfrenta pressão crescente de setores corporativos dos Estados Unidos para reduzir tensões com a China.

A expectativa é que empresários de grandes companhias acompanhem o presidente americano durante a visita.

Entre os nomes citados estão Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, Larry Fink, da BlackRock, Kelly Ortberg, da Boeing, Michael Miebach, da Mastercard, e Brian Sykes, da Cargill.

Segundo Laterza, o governo americano tentará convencer a China a ampliar compras de produtos estratégicos dos Estados Unidos, especialmente aeronaves, commodities agrícolas e energia.

China tenta preservar vantagem econômica

De acordo com Rodolfo Laterza, a principal força da China nas negociações está ligada ao peso econômico e tecnológico acumulado nas últimas décadas.

“O principal trunfo de Pequim nessas negociações é econômico. A China é a maior economia de reexportação do mundo”, destaca.

O analista afirma que Pequim conseguiu ampliar sua presença global em áreas consideradas estratégicas, como tecnologias digitais, energia verde e produção de elementos de terras raras.

Segundo Laterza, esse avanço aumentou a disputa direta com os Estados Unidos em setores considerados essenciais para a manutenção da liderança econômica e militar global.

“Isso levou a um choque comercial, geopolítico, geoeconômico e tecnológico crescente com os EUA, que buscam manter a superioridade e supremacia em todos os níveis”, avalia.

Taiwan continua no centro das tensões

Como divulgado O Brasilianista, um dos principais pontos sensíveis do encontro envolve a situação de Taiwan.

Analistas chineses avaliam que Xi Jinping tentará pressionar Trump a reconhecer formalmente a reivindicação chinesa sobre o território.

Trump evitou confrontos mais diretos sobre Taiwan em comparação com presidentes americanos anteriores, movimento observado com atenção tanto em Pequim quanto entre aliados asiáticos dos Estados Unidos.

Parceiros americanos como Japão e Taiwan acompanham o encontro com preocupação diante da possibilidade de redução do apoio militar americano em caso de escalada envolvendo a China.

O Partido Comunista Chinês considera Taiwan parte do território chinês, apesar de nunca ter exercido controle direto sobre a ilha.

Guerra no Irã amplia dificuldade diplomática

Segundo Rodolfo Laterza, a guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos também reduz a margem para acordos relevantes entre Trump e Xi Jinping.

“Em relação ao Irã, dificilmente Trump irá obter dos chineses qualquer intervenção perante o Irã para angariar alguma posição vantajosa”, afirma.

O especialista explica que a China mantém vínculos comerciais e estratégicos importantes com Teerã e condena a operação militar conduzida pela coalizão formada por Estados Unidos e Israel.

Laterza afirma ainda que o bloqueio americano no Estreito de Ormuz buscou ampliar a pressão econômica sobre Pequim devido à dependência chinesa do petróleo do Oriente Médio.

Mesmo assim, segundo ele, a estratégia não produziu o impacto esperado porque a China diversificou suas fontes de importação energética nos últimos anos.

O especialista avalia que a reunião pode produzir avanços pontuais em temas comerciais, mas dificilmente alterará o cenário mais amplo de competição entre as duas potências.

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