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Geopolítica

EUA vai à China em posição desfavorável pela primeira vez na história

Quem possui o maior poder de negociação agora são os chineses

EUA vai à China em posição desfavorável pela primeira vez na história

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, se reúnem nesta semana pela primeira vez desde 2017, em Pequim. Porém, essa é a primeira vez que um presidente americano vai a uma reunião geopolítica em desvantagem.

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Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e Macroeconomia, Donald Trump ir até a China é uma “demonstração de submissão muito grande”, indicando que as cartas do jogo estão na mão da China.

“Todos os países nos quais os Estados Unidos se colocou como o grande detentor do poder de decisão ou grande detentor da capacidade decisiva, todos eles vieram até os EUA e foram até Washington, se rebaixaram perante Donald Trump para poder tentar fazer algum tipo de negociação. E Xi Jinping não veio. Ele falou, ‘se você quiser conversar comigo, você vem aqui que eu estou na minha casa, vou te receber aqui. Eu não vou até aí’. Então, isso já é uma demonstração de que ‘olha, se desloque para conversar comigo porque o interesse é seu'”, afirma o especialista.

Entre os diversos temas a serem abordados pelas duas maiores economias mundiais, há certo destaque para a questão de exploração mineral e de terras raras. Tarifas, negócios de exploração comercial e até mesmo a questão de Taiwan podem surgir.

Ainda assim, o principal tema a ser abordado deve ser a guerra tarifária entre os dois países, segundo informou O Brasilianista.

Mudança de disputa geopolítica

A rivalidade entre Estados Unidos e China deixou de ser apenas diplomática — ou puramente armamentista — há alguns anos e passou a atingir diretamente comércio, investimentos e cadeias globais de produção.

Nesse cenário, o encontro entre Trump e Xi ocorre após um período de forte deterioração econômica entre os países.

Ainda assim, cresce a preocupação global sobre os limites dessa disputa e quais fatores poderiam levar a uma escalada militar, mesmo que de forma arrefecida.

Apesar da China se manter cautelosa para não de indispor totalmente com os EUA, seu potencial em meio à guerra do Irã deixa as negociações com Trump mais favoráveis.

Comando do petróleo

 A China gradualmente passou a controlar a oferta de petróleo dos últimos meses, mesmo sem ser produtora da commodity. Ou seja, opera como uma “mão invisível” no mercado global.

Segundo um levantamento da Vortex, as importações marítimas de petróleo bruto para a China reduziram para cerca de 8,4 milhões de barris por dia (mbd), mas os chineses já vinham prevendo o movimento de tensão no Oriente Médio e começaram a inverter a balança comercial.

Menores importações e consumo, enquanto o estoque de petróleo aumentava e as exportações de combustíveis seguiram funcionando — ainda que de forma arrefecida.

Com alto estoque e redução das exportações, as reservas da commodity aumentaram ainda mais e, no futuro, a China vai tentar liquidar o excesso de estoque.

Nova “Guerra Fria”?

Alguns especialistas e analistas internacionais já classificam o cenário atual como uma “nova Guerra Fria”.

A expressão ganhou força diante do aumento das tensões comerciais, tecnológicas e geopolíticas entre as duas maiores potências do mundo.

Vale lembrar que a reunião acontece em meio ao avanço das disputas econômicas, tensões envolvendo Taiwan e divergências sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

No entanto, não é possível afirmar que as influências dos EUA e China configuram como uma nova Guerra Fria em primeiro momento, visto que o contexto é diferente da disputa ocorrida logo após a Segunda Guerra Mundial.

Especialista entrevistado pelo O Brasilianista explica que, no passado, a disputa era marcada principalmente pelo choque ideológico entre capitalismo e comunismo. Atualmente, o cenário envolve uma competição mais ampla e fragmentada.

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