A Operação Off-Balance, deflagrada nesta quarta-feira (13), incluiu mais um instituto público de previdência nas investigações do Caso Master. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal (PF) miram o fundo de pensão de Cajamar, no litoral paulista, por aportes de quase R$ 90 milhões no banco de Daniel Vorcaro mesmo sabendo do risco da aplicação.
Até agora, 19 fundos públicos de pensão estão ligados ao Master por aportes que somam quase R$ 2 bilhões. Em SP, também investiram no banco de Daniel Vorcaro: São Roque (R$ 93 milhões), Araras (R$ 29 milhões), Santo Antônio de Posse (R$ 13 milhões) e Santa Rita d’Oeste (R$ 2 milhões).
Outros fundos municipais que aplicaram no Master foram os de Maceió (AL), R$ 97 milhões; Campo Grande (MS), R$ 1,2 milhão; Itaguaí (RJ), R$ 59,6 milhões; Aparecida de Goiânia (GO), R$ 40 milhões; Congonhas (MG), R$ 14 milhões; Fátima do Sul (MS), R$ 7 milhões; Imbituva (PR), R$ 4 milhões; Paulista (PE), R$ 3 milhões; São Gabriel do Oeste (MS), R$ 3 milhões; Jateí (MS), R$ 2,5 milhões; e Angélica (MS), R$ 2 milhões.
O Brasilianista já mostrou que também há fundos de pensão de servidores estaduais que aportaram no Master. O Rioprevidência (RJ) investiu R$ 970 milhões mesmo com alertas sobre os problemas enfrentados pelo banco de Vorcaro. O mesmo aconteceu com o Amapá Previdência, que aportou R$ 400 milhões, e o Amazonprev, que aplicou R$ 50 milhões.
Caso Master
O Caso Master, investigado na Operação Compliance Zero, envolve um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos para garantir o funcionamento do Banco Master, de Daniel Vorcaro.que ecoa métodos de escândalos anteriores.
As investigações da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central (BC) mostraram que o crescimento da instituição se deu pela venda de títulos podres, com promessas de alto lucro e segurança do investimento devido à cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Um dos pontos críticos no setor bancário foi a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. A PF aponta que Costa era próximo de Vorcaro. Mensagens trocadas entre a dupla evidenciaram que houve direcionamento de investimentos em troca de vantagens indevidas.
Além disso, as investigações trazem menções ao BTG que indicam pagamentos periódicos feitos por Vorcaro ao banco de André Esteves.
O Caso Master ganhou voso contornos com a descoberta da existência da Turma de Vorcaro, grupo de assessores do banqueiro que faziam todo tipo de serviço, desde difamação nas redes sociais até intimidação na vida real.
As ramificações políticas do Caso Master são profundas e atingem o coração do Congresso Nacional. As provas colhidas até agora pela PF sugerem que o banco de Vorcaro funcionava como uma fonte de financiamento para políticos influentes.
Um dos nomes que surgiu nas investigações é o do senador Ciro Nogueira, que, segundo a PF, receberia pagamentos mensais de R$ 500 mil de Vorcaro para garantir a manutenção de interesses do banco no governo federal.
Esse cenário revela um elevado custo político, onde decisões de Estado e a gestão de recursos públicos (via fundos e bancos estatais) estariam submetidas a interesses privados. A dinâmica de poder é reforçada pela dança da delação, na qual envolvidos buscam acordos com a Justiça para detalhar como o esquema operava.
As investigações do Caso Master tem sido comparadas com as da Lava Jato, devido à ramificação política e aos valores movimentados na fraude. A comparação também é feita quanto aos métodos de apuração, para evitar os erros da Lava Jato.

