Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) protagonizam uma das principais disputas eleitorais de 2026, para governador de São Paulo. Quando observado da perspectiva de campanha presidencial, o estado é um colégio eleitoral importante e que pode fazer a diferença tanto no primeiro quanto segundo turnos.
Para o presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Tarcísio de Freitas enfrentará um cenário complicado na tentativa de se reeleger ao governo de São Paulo. Pessoas próximas ao presidente afirmaram que o petista não vê o governador com muito apoio entre os prefeitos no estado, como mostrou O Brasilianista.
Em geral, desde que foi eleito, Tarcísio nunca teve o controle sobre os prefeitos em SP, e essa diferença com relação aos seus sucessores acontece porque ele é filiado ao Republicanos, partido ligado à Igreja Universal.
Em contrapartida, o PSDB foi o partido hegemônico no estado desde a metade dos anos 1990 até a eleição do atual governador.
Além disso, Tarcísio nasceu no Rio de Janeiro e construiu sua carreira em Brasília, apadrinhado politicamente por Valdemar Costa Neto, dono do PL. Isso resulta em uma estratégia política dependente da capacidade de Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário da atual gestão do governo paulista, em conectá-lo ao meio político paulista.
Tarcísio depende do PSD
O partido de Kassab foi o responsável por acabar com a hegemonia do PSDB em São Paulo. Num processo que levou anos, ele foi atraindo lideranças tucanas paulistas até conseguir, nas eleições de 2024, eleger 206 prefeitos somente em SP.
No entanto, isso ainda representa 32% de todas as prefeituras paulistas. Para Tarcísio, essa porcentagem pode não trazer tanto peso entre os eleitores.
Afinal, a organização da base política de Tarcísio também foi realizada pelo PSD, que o ajudou a se filiar ao Republicanos e convenceu os políticos de SP que o ‘estrangeiro’ seria uma aposta competitiva.
Lula observa esse cenário e avalia que o governador ainda precisa convencer mais alianças além da capital, cujo prefeito é Ricardo Nunes (MDB). Outro problema é a ausência de Kassab, que se preocupa em boa parte com a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República pelo PSD.
Sem Kassab tão presente, Tarcísio de Freitas terá que reconquistar seus aliados dos últimos quatro anos.
Insegurança ganha relevância nas eleições paulistas
Um outro fator que pode pesar contra o atual governador é a sensação de insegurança dos paulistas.
Apesar de dados do governo de SP mostrarem queda nos índices de furtos, roubos, homicídios e latrocínios em 2025, uma pesquisa divulgada pelo DataFolha em abril do ano passado mostrou que 64% da população do estado teme ser vítima de algum crime.
Para o PT, surge uma oportunidade de surfar na onda da melhora nos números da Segurança Pública paulista: os registros sobre violência policial têm aumentado da mesma forma. Somente em janeiro e fevereiro deste ano, a letalidade policial aumentou 35%. Foram 103 vítimas no primeiro bimestre de 2026 contra 76 no mesmo período do ano passado.
Haddad pode usar dados do crime organizado como estratégia de campanha
A paternidade sobre o combate ao crime organizado, responsável por parte dos crimes que apresentaram redução de ocorrências em SP, será uma das disputas travadas entre Tarcísio e Haddad na campanha deste ano.
Enquanto o governador deve usar os números favoráveis para mostrar que está enfrentando a violência, Haddad poderá dizer que o ataque ao crime organizado evidenciou doadores de campanha de Tarcísio, como Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e maior doador individual à campanha do governador paulista em 2022, com aporte de R$ 2 milhões.
A Operação Carbono Oculto, que mostrou que facções criminosas se infiltraram no mercado formal por meio de postos em gasolina em SP, também pode ser uma alternativa de Haddad para combater Tarcísio.

