Diante da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, realizada nesta quinta-feira (14), em Pequim, o líder chinês busca ganhar ainda mais tempo e pode tentar aproveitar essa oportunidade através de um diálogo com o presidente norte-americano que está, de certa forma, enfraquecido pela guerra no Irã.
No ano passado, quando Xi se encontrou com Trump, o presidente chinês utilizou como forma de pressão o controle sobre minerais críticos de seu país, grande interesse por parte do americano. A postura firme de Xi fez com que Trump concordasse com a trégua comercial de um ano. Agora, em nova reunião, o líder chinês pode usar o fator da guerra no Irã da mesma forma. As informações são do The New York Times.
China e o conflito dos EUA com o Irã
Para o encerramento do conflito no Irã, a China tem seus motivos, ainda mais por sua economia ser afetada diretamente pela alta nos preços da energia. Um retrocesso mundial acabaria prejudicando suas exportações, que é considerado um de seus principais motores de crescimento. As reservas de petróleo da China são muito relevantes, mas não são ilimitadas.
Considerando ser responsabilidade de Washington, a China evita qualquer envolvimento direto com a guerra, mas incentivou as autoridades iranianas a negociarem com os EUA. A China ainda pode atuar com certa cooperação com os americanos para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual passa cerca de 40% das importações chinesas de petróleo, mas sem pretensões de atuações militares.
Reconhecimento e interesse em Taiwan
Para Pequim, essa reunião é mais destinada a estabelecer alguns termos da relação entre as duas maiores economias do mundo. Xi busca um maior reconhecimento de seu país, colocando em igualdade com os EUA e se igualando politicamente com Trump. Desde que assumiu o poder, em 2012, Xi mantém esse objetivo. De acordo com analistas e autoridades chinesas, esse acordo poderia iniciar uma relação ainda mais estável.
O interesse central do líder chinês com o presidente norte-americano é em relação a Taiwan. Xi quer que os americanos reduzam o apoio dado à ilha, por meio de uma declaração de Washington dizendo que se opõe à independência taiwanesa ou até por meio da diminuição ou adiamento das vendas de armamentos.
Nesta semana, Trump afirmou que pretende discutir esse assunto com a China. Diante disso, o presidente dos EUA pode contrariar as “Seis Garantias”, compromisso histórico formulado em 1982, pelo presidente Ronald Reagan. Uma dessas garantias era que o governo americano não consultaria Pequim em caso de venda de armas para Taiwan.
Uma nova Guerra Fria?
Como noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, o crescimento na disputa entre os dois países faz com que analistas e especialistas classifiquem este cenário como uma “nova Guerra Fria“. Essa expressão ganhou ainda mais força com o aumento das tensões comerciais, geopolíticas e tecnológicas entre as duas potências mundiais, em especial com a intensificação da guerra tarifária iniciado por Trump.
De acordo com mestre em Segurança Pública, especialista em Ciência Política, Sistemas de Segurança e Defesa, historiador e analista em geopolítica, Rodolfo Laterza, a atual rivalidade possui algumas diferenças em relação ao confronto entre EUA e União Soviética durante o século XX. Ele explica que, antigamente, essa disputa era de caráter ideológico, entre comunismo e capitalismo. Agora, esse conflito envolve um cenário mais fragmentado e amplo.
“É diferente do contexto da Guerra Fria de 1945-1991. Agora a disputa se dá através de confrontos difusos e fragmentados, muitas vezes de forma híbrida e não armada”, afirma.

