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Justiça

Caso Master: A Polícia Federal dos Vorcaro

Três agentes da PF, sendo um da ativa e dois aposentados, além de uma delegada federal, usaram seus cargos para repassar informações sigilosas a Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique

Caso Master: A Polícia Federal dos Vorcaro

As investigações da Polícia Federal (PF) mostraram que integrantes da corporação estavam na folha de pagamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu pai, Henrique Vorcaro. Três agentes (um da ativa e dois aposentados), além de uma delegada federal, usaram seus cargos para acessar apurações sigilosas e repassar as informações aos Vorcaro.

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Segundo a PF, os agentes infiltrados eram gerenciados pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e tinham Anderson Wander da Silva Lima, agente lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, como um dos principais operadores do esquema.

Anderson, de acordo com a PF, era acionado para realizar consultas indevidas no sistema e-Pol, que gerencia os inquéritos da PF. Em um dos episódios relatados pela Polícia Federal, ele buscou informações detalhadas sobre uma investigação que mirava Henrique Vorcaro, permitindo à organização criminosa se antecipar a possíveis medidas judiciais.

Sebastião Monteiro Júnior, que também é policial federal aposentado, atuava na articulação estratégica, participando de reuniões reservadas na residência de Marilson Roseno para planejar as atividades do grupo e manter o fluxo de informações entre os executores e os Vorcaro.

Já a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, segundo a PF, vazou informações sigilosas ao grupo e monitorou o andamento de investigações que pudessem atingir Daniel e Henrique Vorcaro.

Mas os policiais federais não coletaram informações que serviram apenas para proteger os interesses de Henrique e Daniel. Eles também atuaram para ajudar amigos do banqueiro e de seu pai. Num desses casos, Marilson pediu para Anderson buscar informações sobre uma “rede de pedofilia da internet” que teria “mexido com a filha de um cara, filho de um… com o CEO do banco aí, cara”.

Tempos depois, Anderson envia a Marilson os dados de um homem chamado Ronald Fred Seikaly.

Mais pressão sobre a PF

O envolvimento de policiais federais com a família Vorcaro joga mais pressão sobre a corporação. O afastamento de dois agentes por envolvimento com o Caso Master é apenas mais uma menção à corrupção que existe na PF, principalmente no Rio de Janeiro.

Foi do paiol da PF no Rio de Janeiro que saíram as balas desviadas pela milícia para matar Marielle Franco. A investigação sobre o assassinato da vereadora mostrou que diversos agentes eram ligados aos irmãos Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do RJ, e o deputado federal Chiquinho Brazão, condenados por mandarem assassinar Marielle.

Em março deste ano, um delegado federal foi preso por ordem de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acusado de vazar informações sobre investigações.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.