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Justiça

Caso Master: Os pagamentos do papai

Diálogos de Henrique Vorcaro mencionam valores mensais de R$ 400 mil e pedido de reajuste para R$ 800 mil

Caso Master: Os pagamentos do papai

As investigações da Polícia Federal (PF) no Caso Master listam diversos pagamentos feitos por Henrique Moura Vorcaro para manter o esquema de fraudes do Banco Master. Os desembolsos de milhares de reais também custeavam os núcleos A Turma e Os Meninos, responsáveis por executar as vontades de Henrique e seu filho, Daniel Vorcaro, dono do Banco master.

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Diálogos de Henrique Vorcaro descobertos pela PF mencionam um valor mensal de R$ 400 mil para o custear a organização. Esse montante era pago a Marilson Roseno da Silva, responsável por dividir o valor entre os integrantes do grupo.

Registros de janeiro deste ano mostram Marilson Roseno da Silva pedindo a Henrique aumento do repasse para R$ 800 mil. Na ocasião, Marilson, que é policial federal aposentado, afirmou que outro indivíduo — identificado apenas pela letra “F” — estaria enviando somente metade da quantia acordada.

A PF sugere que a “F” seria uma referência a Fabiano Zettel, marido de Natália Vorcaro Zettel (filha de Henrique e irmã de Daniel). Zettel, que era pastor da Igreja Lagoinha, é apontado nas investigações como um dos gerenciadores do financiamento, juntamente com seu sogro e seu cunhado.

A movimentação de recursos foi registrada por meio de notas fiscais emitidas pela empresa Roseno & Ribeiro Gestão em favor da King Participações. De acordo com a PF, os pagamentos foram feitos de 2024 a 2026, mesmo após o início da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.

Em janeiro deste ano, por exemplo, Marilson enviou o que chamou de “oferenda” para A Turma. Segundo a Polícia Federal, esse dinheiro foi pago como bônus de fim de ano ao grupo.

No mês seguinte, Marilson cobrou Henrique sobre a quitação de pendências financeiras. De acordo com a PF, a execução dos serviços solicitados por Henrique dependia do pagamento dos valores em atraso.

A Turma e Os meninos

Sicário chefiava A Turma e os Meninos, grupos custeados pelos Vorcaro para operações ilegais (Crédito: Reprodução)

O dinheiro pago por Henrique, Daniel e Zettel mantinha dois grupos que trabalhavam para manter o esquema de fraudes do Banco Master e atender os desejos da família Vorcaro. Um desses núcleos era A Turma, que intimidava e monitorava desafetos, concorrentes e autoridades.

O grupo era gerenciado por Sicário, que se matou na Superintendência da PF em Minas Gerais (MG), após ser preso, em março deste ano. Numa das conversas com Sicário, Daniel Vorcaro diz querer “mandar dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

A Turma também contava com servidores do Banco Central (BC), como Paulo Sérgio, ex-Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária no BC, que atuava como consultor particular de Daniel Vorcaro, revisando e sugerindo alterações em minutas de ofícios que o Banco Master enviaria ao departamento onde o servidor exercia sua função.

Outro servidor do BC identificado pela PF foi Belline Santana, que também chefiava um departamento no Bacen e era instado por Daniel Vorcaro a opinar sobre documentos oficiais antes do envio formal ao BC. As assessorias privadas eram pagas por meio de contratos de consultoria.

O segundo grupo que trabalhava para os Vorcaro era chamdo de Os Meninos, segundo a PF. Esse núcleo funcionava como uma célula de inteligência cibernética e executava ataques e monitoramento digital. Assim como A Turma, Os Meninos eram gerenciados por Felipe Mourão, o Sicário.

A liderança técnica de Os Meninos cabia a David Henrique Alves, dono da empresa Bipe Software Brasil Ltda.. Era por meio da companhia que os Vorcaro pagavam R$ 75 mil mensais por serviços prestados pelos hackers, diz a PF.

Além de David Henrique Alves, o grupo contava com Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, conhecido como Rodriguinho, e Katherine Venâncio Telles. Sedlmaier prestava serviços técnicos digitais, Rodriguinho adquiria domínios na internet e mantinha a infraestrutura usada nas operações clandestinas.

Coube a Telles o apoio logístico para ocultar equipamentos e provas após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A PF detalha que ela participou ativamente do esforço para esconder Alves e transportar equipamentos eletrônicos, para atrapalhar a investigação sobre o Master.

Na tentativa de obstruir a justiça, diz a PF, David Alves e seus subordinados montaram uma estrutura móvel para proteger servidores e laptops criptografados usados nos crimes. Para fugir das autoridades, o grupo também mudava constantemente de endereço.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.