Metade da população (50%) brasileira vê o programa Desenrola 2.0 como uma boa ideia, ajudando aqueles no vermelho a saírem das dívidas. É o que aponta uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (13).
Cerca de 22% dos respondentes afirmam que a medida é uma ideia que pode ajudar um pouco, mas não resolve o problema das dívidas no Brasil. Ainda, 23% veem o programa como uma má ideia, que pode incentivar as pessoas a se endividar novamente.
Ao mesmo tempo, 38% acreditam que a iniciativa vai ajudar as pessoas a saírem das dívidas, enquanto 33% acreditam que não vai ajudar.
A pesquisa foi realizada com 2.004 entrevistas e possui margem de erro estimada de 2 pontos percentuais.
Em relação às apostas online e o programa Desenrola, 79% dos entrevistados são a favor de proibir as bets para quem estiver dentro do programa. Somente 16% são contra essa medida, enquanto 5% não souberam responder.
Aprovação do governo aumenta
O levantamento também mostra que a aprovação do governo Lula aumentou em relação a abril, passando de 43% para 46%.
O Desenrola 2.0 pode ser um dos fatores que contribuiu para esse resultado, mas não é possível confirmar consequência direta do lançamento do programa para uma maior aprovação do governo.
Vale destacar, contudo, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já anunciou R$ 140 bilhões em incentivos durante o ano eleitoral de 2026 — o que representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
O Desenrola 2.0, juntamente do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), representam um estímulo estimado em R$ 16,1 bilhões.
Como funciona o Desenrola 2.0?
O governo federal apresentou as regras atualizadas do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas. O objetivo é permitir que consumidores regularizem a situação financeira e retomem o acesso ao crédito.
Podem participar brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105 em 2026. O programa contempla dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos.
Entram nessa lista débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, além de contratos ligados ao financiamento estudantil.
O programa permite que o consumidor renegocie dívidas com condições mais favoráveis do que as praticadas normalmente. Isso inclui descontos sobre o valor total, juros limitados e possibilidade de parcelamento.
Os descontos começam em cerca de 40% para atrasos mais curtos e podem chegar a até 90% para débitos mais antigos. Em relação ao crédito pessoal, os descontos partem de aproximadamente 30% e chegam a até 80%, dependendo do tempo sem pagamento.
Um dos principais vilões dos endividados no Brasil, os juros, foram limitados a 1,99% ao mês para os débitos elegíveis no programa Desenrola. Esse teto busca reduzir o custo total da dívida renegociada, especialmente quando comparado às taxas elevadas dessas modalidades de crédito.
Vale lembrar que há um limite para o valor renegociado por CPF em cada instituição financeira, o que visa a organização da operação e evita acúmulo excessivo de novos débitos.

