O Banco Master se tornou o foco de um dos maiores escândalos do mercado financeiro dos últimos anos, expondo esquemas grandes de corrupção, lavagem de dinheiro e até mesmo organizações criminosas.
O caso veio à tona em decorrência da investigação da Operação Compliance Zero, que apurava possíveis fraudes ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). Até o momento, estima-se um rombo de mais de R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.
No entanto, Daniel Vorcaro, dono do banco, e o Master já estavam no radar da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) há alguns anos por oferecer investimentos com alto retorno a preços bem abaixo do mercado.
As primeiras suspeitas surgiram após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma instituição de economia mista (pública e privada), que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e mudou o nome para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de renda fixa (CDBs) com alto retorno — algo incomum, visto que ativos de renda fixa costumam garantir maior segurança por riscos e retornos mais baixos do que os ativos de renda variável.
Como funcionava o modelo de negócios do Master?
Conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC paga os investidores porque garante depósitos e investimentos elegíveis até R$ 250 mil por CPF/CNPJ em caso de liquidação de instituições financeiras, independentemente da fraude cometida pelos controladores.
Nessa época, a carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos.
Pedro Afonso Gomes, economista, Conselheiro Efetivo no Conselho Federal de Economia (COFECON), explica que o esquema de fraude do Banco Master envolveu transações circulares para inflar artificialmente ativos e simular solidez financeira.
O Banco Master captava recursos via CDBs com taxas altas (até 140% do CDI) para atrair investidores. Em seguida, concedia empréstimos fictícios ou a empresas ligadas a ele, que aplicavam em fundos, comprando ativos superfaturados, por exemplo, um título de R$ 100 vendido por R$ 1.000.
Isso criou um “falso patrimônio” de cerca de R$ 11,5 bilhões, ocultando insolvência e permitindo pirâmide financeira. Ou seja, os novos CDBs pagavam os antigos, enquanto o investimento era realizado sem lastro real.
“A fraude não afeta a garantia, que visa preservar confiança no sistema financeiro, mas fragiliza o FGC.
Para recuperar o seu caixa, o FGC está elevou o percentual que cobra sobre todos os empréstimos feitos no país para 0,0125%, ou seja, todos os tomadores de crédito estão sendo prejudicados, pois as taxas de juros exigidas pelos bancos elevam-se também por esse motivo”, afirma Gomes.
O FGC recupera recursos via venda de ativos reais do Banco Master (imóveis, participações) durante a liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
Operação Compliance Zero e liquidação do Master
O estopim foi a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), com o objetivo de cobrir uma possível falência do banco privado.
Quando a tentativa foi recusada, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. As instituições liquidadas por suspeitas de fazer parte da fraude foram:
- Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., em março de 2026;
- Banco Master S/A, em novembro de 2025;
- Banco Master de Investimento S/A, em novembro de 2025;
- Banco Letsbank S/A, em novembro de 2025;
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, em novembro de 2025;
- Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários S.A, em janeiro de 2026;
- Will S.A Crédito Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, em janeiro de 2026;
- Banco Pleno, em fevereiro de 2026;
- Pleno DTVM, em fevereiro de 2026;
- Entrepay Instituição de Pagamento S.A., em março de 2026;
- Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A., em março de 2026.

