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Geopolítica

Impasse sobre o Oriente Médio marca reunião do BRICS na Índia

Grupo enfrenta crise de consenso com o avanço da guerra no Irã

Impasse sobre o Oriente Médio marca reunião do BRICS na Índia

A reunião de chanceleres do BRICS terminou nesta sexta-feira (15) sem uma declaração conjunta oficial, em um movimento que expôs divisões internas do bloco sobre a guerra envolvendo o Irã.

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O principal impasse ocorreu por causa das diferentes posições dos países-membros sobre o conflito no Oriente Médio e sobre como o grupo deveria se posicionar em relação às ações dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

A falta de consenso aconteceu durante o encontro realizado em Nova Délhi, na Índia, que sediou a reunião preparatória para a próxima cúpula do BRICS.

As divergências ficaram concentradas principalmente entre Irã e Emirados Árabes Unidos, dois integrantes do bloco que hoje ocupam posições opostas dentro do conflito regional.

Sem acordo entre os membros, a Índia divulgou apenas uma “declaração da presidência”, documento mais limitado e sem caráter consensual pleno entre todos os países participantes.

O que é BRICS?

O BRICS é um bloco de cooperação econômica, política e diplomática criado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China.

O grupo ganhou o “S” em 2010, com a entrada da África do Sul, e passou por expansão nos últimos anos com a inclusão de países como Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Indonésia.

O bloco surgiu com objetivo de ampliar a influência das economias emergentes no cenário global e defender uma ordem internacional menos concentrada nas potências ocidentais.

Hoje, o BRICS atua em temas ligados a comércio, energia, infraestrutura, segurança internacional, inteligência artificial e cooperação financeira.

A expansão recente do grupo, porém, também aumentou desafios diplomáticos internos, principalmente porque o bloco passou a reunir países com interesses geopolíticos muitas vezes conflitantes.

Guerra no Irã aumentou tensão dentro do grupo

O conflito envolvendo o Irã dominou as discussões da reunião e acabou dificultando a construção de uma posição comum.

Segundo a Reuters, o governo iraniano pressionava o BRICS para condenar formalmente as ações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel na região.

Ao mesmo tempo, países como Emirados Árabes Unidos e Índia demonstraram preocupação com ataques a rotas marítimas estratégicas e com os impactos econômicos da guerra sobre o fornecimento global de energia.

Conforme publicado na reportagem do O Brasilianista, o conflito já alterou de forma significativa a dinâmica global do petróleo, principalmente por causa das ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor marítimo responsável por parte relevante do transporte mundial de petróleo.

O receio de interrupções na região elevou preocupações sobre a inflação energética, preços internacionais do barril e a estabilidade das cadeias globais de abastecimento.

Falta de consenso expõe desafio do bloco ampliado

A ausência de uma declaração conjunta foi interpretada como um sinal das dificuldades enfrentadas pelo BRICS após sua ampliação.

Com mais integrantes e interesses regionais diferentes, o grupo passou a enfrentar obstáculos maiores para construir consensos em temas geopolíticos sensíveis.

O encontro desta semana mostrou que o BRICS ainda tenta equilibrar a sua ambição de atuar como um contraponto diplomático ao Ocidente com as diferenças internas entre seus próprios membros.

A expectativa agora é que as negociações continuem até a próxima cúpula oficial do bloco, prevista para acontecer ainda este ano na Índia.

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