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Política

Flávio Bolsonaro pede desculpas após negar elo com Daniel Vorcaro

Senador altera versão sobre negociações milionárias e admite participação na captação

O impacto do “Efeito Áudio” na direita rumo a 2026

Depois de inicialmente classificar como “mentira” as revelações sobre sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mudou o discurso, pediu desculpas a eleitores e confirmou que atuou na busca de investidores para viabilizar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida à CNN Brasil, o parlamentar afirmou que omitiu a relação por causa de cláusulas de confidencialidade ligadas ao contrato internacional que sustentou parte da produção.

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Durante entrevista nesta sexta-feira (15), Flávio declarou: “Se alguém não compreendeu a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas”. A fala marcou uma inflexão após a divulgação de mensagens, áudios e documentos pelo Intercept Brasil, que expuseram tratativas financeiras envolvendo Vorcaro, sua família e aliados políticos ligados ao projeto audiovisual, conforma já divulgado pelo O Brasilianista.

O senador sustentou que o financiamento sempre ocorreu por vias privadas e sem uso de dinheiro público, Lei Rouanet ou mecanismos estatais. De acordo com sua versão, o orçamento estimado para o longa era de US$ 24 milhões, mas cerca de pouco mais de US$ 12 milhões teriam sido efetivamente aportados por Vorcaro, além de recursos de outros investidores. Flávio também disse ter solicitado à equipe responsável nos Estados Unidos a divulgação contratual ou uma prestação de contas da produtora para comprovar a destinação dos valores.

Como o caso ganhou dimensão política?

A controvérsia ganhou força porque Flávio havia negado publicamente qualquer relação com Vorcaro antes de reconhecer o contrato. Para justificar a contradição, disse que revelar o vínculo o obrigaria a expor detalhes protegidos por acordo de confidencialidade. Na entrevista, afirmou que sua conexão com o banqueiro foi “estritamente” ligada ao filme.

A admissão ocorreu após documentos apontarem uma negociação de cerca de US$ 24 milhões para a produção e ao menos US$ 10,6 milhões já transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para estruturas relacionadas ao longa. A publicação também contextualizou que as mensagens reveladas indicam aproximação entre Flávio e Vorcaro desde dezembro de 2024, incluindo cobranças por atrasos em pagamentos.

Na CNN, Flávio declarou que o projeto cinematográfico está concluído e deve estrear ainda em 2026, classificando a produção como uma homenagem ao pai. Ele também repetiu diversas vezes que não vê ilegalidade no processo por se tratar, segundo sua defesa, de investimento particular em uma obra cultural.

Em meio à repercussão do caso, o senador publicou uma nota oficial em que apresentou sua versão sobre os fatos, detalhou a cronologia dos acontecimentos e defendeu a instalação imediata de uma CPI do Banco Master. Confira abaixo a íntegra do posicionamento.

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já“.

Pressão sobre transparência e impacto eleitoral

Ao longo da entrevista, jornalistas questionaram o senador sobre a diferença entre sua postura atual e as negativas anteriores, além da dimensão política do caso em meio à sua pré-candidatura presidencial. Flávio respondeu que não teme novos vazamentos e afirmou que qualquer contato adicional com Vorcaro teria tratado apenas do filme.

Também surgiram questionamentos sobre o papel de Eduardo Bolsonaro e do deputado Mario Frias na estrutura da produção. Flávio disse que a gestão financeira cabia a fundos e produtoras, negando participação direta de familiares no comando dos recursos vinculados a Vorcaro.

Vale lembrar que, de acordo com análise do O Brasilianista, a repercussão ocorre num momento sensível para sua estratégia eleitoral, já que o episódio amplia o escrutínio sobre relações financeiras, transparência patrimonial e coerência pública.

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