A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi colocada à prova três vezes em oito dias e os impactos já são sentidos — a ponto de seu nome ser praticamente descartado entre aliados no Centrão e mercado financeiro.
Um dos principais nomes que podem ganhar destaque com esse cenário é o da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.
A esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro era uma das principais cotadas dentre o clã para tentar uma campanha presidencial antes do anúncio de Flávio como o “sucessor” do ex-presidente.
Essa crise assolada não apenas pelo vazamento de áudios enviados para Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, mas também por operações que investigam dois dos principais aliados do senadorpoderia incluir Michelle como uma substituta do nome da família na campanha.
Ela assumiria essa responsabilidade visto que o ex-deputado e segundo filho, Eduardo Bolsonaro, segue nos Estados Unidos buscando aliados externos. Ele também não pode voltar ao Brasil ou se candidatar pois é réu a partir de decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo da trama golpista.
Michelle não é um nome que participa das pesquisas eleitorais pois não lançou oficialmente sua pré-candidatura. No entanto, uma pesquisa publicada em outubro do ano passado mostrava que, em um provável segundo turno entre Lula e a ex-primeira-dama, garantiria 44,7% das intenções de voto para Lula contra 41,6% para Michelle.
Chapa com Tereza Cristina
Até o momento, no entanto, não está comprovada nenhuma tentativa de chapa com Michelle Bolsonaro como candidata à Presidência da República.
Porém, de acordo com o BNews, lideranças do Centrão e banqueiros debatem sobre a possibilidade de viabilizar uma chapa com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a presidente e Michelle Bolsonaro (PL) como vice.
Parlamentares do Centrão e agentes do mercado procuraram, inclusive, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressistas, para propor a ideia. Interlocutores afirmaram que Nogueira preferiu não seguir com a proposta por enquanto.
“Derrotas” da campanha de Flávio Bolsonaro
Na última quarta-feira (13), mensagens, comprovantes bancários e áudios divulgados evidenciam uma negociação de cerca de US$ 24 milhões, entre Flávio e Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro é ex-dono do Banco Master e responde por uma fraude bancária bilionária, além de ser investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção.
Apesar de defender que o financiamento foi uma negociação privada, sem qualquer verba pública, a informação interfere diretamente na narrativa que vinha sendo relatada pelo pré-candidato ao Planalto, de que não possui nenhum vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master.
Outros aliados de Flávio Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, se tornaram alvo de duas operações diferentes da Polícia Federal (PF) que também possuem algum envolvimento com o banco liquidado no ano passado ou seu antigo dono.
Ciro Nogueira (PP-PI) se tornou alvo da Operação Compliance Zero no dia 7 de maio, quando o despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou que Nogueira estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
Já o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, virou alvo da Operação Sem Refino, realizada nesta sexta-feira (15) para investigar possíveis fraudes fiscais envolvendo o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, durante sua gestão.
Castro é acusado de acobertar um esquema longo de sonegação de impostos bilionária pelo grupo. A investigação caminha ao lado da apuração do ADPF das Favelas, sobre violência policial durante incursões em favelas para combater o tráfico de drogas no estado.
Jair Bolsonaro tranquiliza filho
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (15) que conversou com o ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Na conversa, ele recebeu orientação para “ficar tranquilo e falar a verdade”. O senador disse que explicou ao pai que não havia irregularidade nas conversas mantidas com o ex-dono do Master.
Vale lembrar que foi o ex-mandatário que definiu quem seria seu “substituto político” na campanha eleitoral de 2026, visto que está inelegível e cumpre pena de 27 anos e três meses por participar do núcleo principal da trama golpista.
Nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surgiram na direita como opções válidas para esse grupo político. No entanto, o primogênito afirmou que, em visita ao pai, Jair Bolsonaro disse que “tem que ser” Flávio na disputa.

