Publicidade
Geopolítica

“Equipe” no Pentágono é montada pelos EUA mirando domínio das terras raras

O plano dos Estados Unidos é justamente bater de frente principalmente com China, mas Brasil está na reta

“Equipe” no Pentágono é montada pelos EUA mirando domínio das terras raras

Um grupo de ex-executivos de Wall Street está na linha de frente de um plano do Pentágono para a quebra de poder da China em relação ao fortalecimento dos minerais críticos. O objetivo é a criação de uma fonte independente para os elementos de terras raras e ímãs que são usados em todos os tipos de produtos. O intuito é justamente evitar o que ocorreu em 2025, quando Trump recuou em sua guerra comercial por conta do corte de fornecimentos por parte da China.

Publicidade

Internamente, o grupo é conhecido como “Deal Team Six” em alusão à unidade de elite de missões especiais da Marinha, conhecida como Seal Team Six. Agora, o grupo do Pentágono vai em busca de pisos de preços de longo prazo, empréstimos, compromissos de compra, montar negócios criativos com bilhões de dólares em participações acionárias e outras ferramentas financeiras. As informações são da Bloomberg.

Capacidade de financiamento

Mesmo que as terras raras sejam usadas em pequenas quantidades, são críticas para até mais de US$ 1 trilhão em produção do valor agregado. Diante disso, o governo tem a pretensão de conseguir produzir uma quantidade de ímãs suficientes para cobrir metade da demanda mundial até o ano de 2030. Segundo a Agência Internacional de Energia, a China produziu 94% dos ímãs de terras raras em 2024.

A equipe do Pentágono ainda revelou ter um total de US$ 200 bilhões em capacidade de financiamento para os próximos três anos. Mesmo com isso, questões relacionadas a como os negócios se encaixam com as leis sobre investimentos governamentais permanecem.

Roger Wicker, republicano do Mississipi e presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, solicitou mais coordenação com o Congresso. Além disso, em fevereiro, ele disse que “existem poucas leis atualmente” para a regulamentação da onda de investimentos em participações acionárias.

Posicionamento do Brasil

Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, o Brasil possui aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas conhecidas de terras raras, um número expressivo que o coloca como a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China. Diante disso, o plano dos Estados Unidos é justamente bater de frente com os dois países através do “Dream Team”.

De acordo com Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e sócio da Saygo Comex, a China desenvolveu estrategicamente a sua reserva de terras raras reunindo mineração, fabricação de componentes industriais, produção de ligas metálicas e refino químico.

“Diferentemente de outros países, a China não focou apenas na mineração, mas em toda a cadeia industrial: extração, refino, separação química, produção de ligas metálicas, magnetos e componentes industriais”, afirma o especialista.

Ainda segundo ele, o Brasil possui um potencial relevante, mas enfrenta dificuldades estruturais que são ligadas à industrialização e o refino.

“O modelo chinês se diferencia do brasileiro principalmente pela presença de planejamento estatal de longo prazo e integração industrial. No Brasil, historicamente houve maior foco na exportação de commodities minerais com baixo valor agregado”, completa Ronaldo.

Terras raras

Ainda conforme noticiado pelo O Brasilianista, as terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos que são essenciais para a fabricação de semicondutores, chipas, smartphones, equipamentos técnicos, baterias de carros elétricos, armamentos, foguetes e turbinas eólicas.

Todos esses elementos químicos estão presentes na tabela periódica: cério, disprósio, érbio, escândio, európio, gadolínio, hólmio, ítrio, itérbio, lantânio, lutécio, neodímio, praseodímio, promécio, samário, térbio e túlio. Ou seja, diante disso, toda terra rara é considerada um mineral estratégico, mas não são todos os minerais estratégicos que são terras raras.

Siga O Brasilianista nas redes sociais