Kevin Warsh será o novo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Seu nome foi aprovado na última quarta-feira (13), no Senado americano.
Apesar da votação apertada, de 54 votos a 45, a escolha de Warsh representa uma vitória política para o presidente Donald Trump, que tentava a retirada de Jerome Powell da liderança da autoridade monetária há muitos meses.
Porém, o cenário que o aliado de Trump deve enfrentar não será simples: a inflação está acima da meta oficial de 2%, enquanto o mercado reduz as apostas de cortes de juros. Trump ainda pressiona para diminuir as taxas buscando estimular a atividade econômica.
Vale lembrar que Powell sai do cargo de liderança, mas segue no conselho da instituição, ou seja, ainda deve ter papel importante nas decisões monetárias dos EUA.
Quem é Kevin Warsh?
Kevin Warsh nasceu em Albany, no estado de Nova York, em 1970. Ele é formado em políticas públicas pela Universidade de Stanford, com foco em economia e estatística, e depois cursou direito em Harvard. Por lá, direcionou seus estudos para a relação entre legislação, economia e regulação, além de frequentar programas ligados a mercados financeiros em Harvard Business School e no MIT.
No mercado de trabalho, ele ingressou diretamente no mercado financeiro e já passou pelo banco Morgan Stanley, onde atuou na área de fusões e aquisições. Nesse período, como mostrou O Brasilianista, ele trabalhou como conselheiro de empresas de diferentes setores e participou da estruturação de operações no mercado de capitais, incluindo financiamentos e emissões de dívida e ações.
Warsh migrou para o setor público em 2002, quando fez parte da administração do então presidente George W. Bush. Na época, foi sua responsabilidade funções como a de assessor especial e secretário executivo do Conselho Econômico Nacional.
Ele foi indicado por Bush para o Conselho de Governadores do Fed em 2006, assumindo o cargo no mesmo ano. Sua passagem pela instituição foi marcada pela crise financeira de 2007 a 2009. As informações são do Federal Reserve History.
Durante seu período no Fed, Warsh também teve atuação internacional, representando o banco central americano no G-20. Internamente, exerceu funções administrativas, supervisionando operações e desempenho financeiro do órgão.
O Brasilianista já mostrou que a relação de Warsh com o entorno de Donald Trump é considerada relevante para que seu nome fosse emplacado no Senado. Seu sogro é o empresário Ronald Lauder, que tem histórico de proximidade com o meio político que poderia ajudá-lo. Além disso, sua visão de mercado difere da de Powell, visto que ele acredita em uma redução maior dos juros.
Ainda assim, há avaliações distintas sobre como Warsh atuaria no comando do Fed. Sua trajetória como economista e amplo conhecimento no mercado financeiro, bem como seus contatos, podem ajudá-lo na missão de presidir o Fed. Porém, o cenário segue desafiador — e os olhos se voltam para ele.

