O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa nesta terça-feira (19) de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que acontece em atendimento a previsão regimental do Senado.
Segundo a Agência Senado, a reunião começa a partir das 10h e pode ser acompanhada em formato online pela população brasileira. A presença de Galípolo na audiência faz parte de uma exigência de que pelo menos duas vezes no ano o BC apresente à CAE um relatório das atividades e desempenho da política monetária.
Dessa vez, a expectativa é de que o presidente da instituição financeira seja questionado não somente sobre os rumos da política monetária, mas também sobre o caso do Banco Master, visando entender o papel do BC na crise que gerou um rombo superior a R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O presidente da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a presença de Galípolo é muito importante para esclarecer essas dúvidas.
A última declaração de Galípolo ao Congresso aconteceu durante a CPI do Crime Organizado, quando afirmou que nunca tratou sobre as fraudes do Banco Master com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, as reuniões que teve com integrantes da Corte serviram para discutir a Lei Magnistky.
Como participar da audiência pública?
Por ser uma audiência pública, qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania.
As mensagens podem ser lidas e respondidas pelos senadores e debatedores ao vivo. Quem participar recebe uma declaração de participação, que pode ser usada como atividade complementar em curso universitário, por exemplo.
O caso Master
O Banco Master se tornou o foco de um dos maiores escândalos do mercado financeiro dos últimos anos, expondo esquemas grandes de corrupção, lavagem de dinheiro e até mesmo organizações criminosas.
Daniel Vorcaro, dono do banco, e o Master já estavam no radar da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) há alguns anos por oferecer investimentos com alto retorno a preços bem abaixo do mercado.
O ex-CEO da empresa liquidada assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e mudou o nome para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de renda fixa (CDBs) com alto retorno. Em seis anos, a carteira desses investimentos subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões.
As primeiras suspeitas de fraude surgiram após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma instituição de economia mista (pública e privada), que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC paga os investidores porque garante depósitos e investimentos elegíveis até R$ 250 mil por CPF/CNPJ. Ou seja, o modelo de negócios do Master não possuía lastro real, se apoiando no FGC caso a fraude fosse desvendada.

