Logo antes de tentar vender o Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), quando a instituição de Daniel Vorcaro já sofria de problemas financeiros, houve uma proposta de aquisição pelo BTG Pactual, de André Esteves.
Na época, a ideia era vender o banco — que já não conseguia se sustentar internamente — por um valor simbólico ao BTG. Esteves sugeriu o valor de R$ 1.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou uma reunião com Vorcaro no dia 4 de dezembro de 2024, juntamente de três ministros e Gabriel Galípolo, na época diretor de Política Monetária do Banco Central (BC). Segundo mensagens extraídas da investigação da Polícia Federal (PF) divulgadas pelo Uol, Lula teria aconselhado o banqueiro a não vender o Master por valor simbólico.
Tempos depois, o Master foi investigado e liquidado no âmbito da Operação Compliance Zero por realizar fraude bilionária, deflagrada após a tentativa de aquisição pelo BRB.
Segundo o Poder360, Lula buscava um aliado na Faria Lima e o modelo de negócios aparentemente promissor do Master poderia ajudá-lo a alcançar o grupo de empresários brasileiros. Isso porque Vorcaro apresentava a empresa como um concorrente para acabar com a oligarquia dos grandes bancos no sistema financeiro do país.
Na reunião, estavam presentes, além de Lula, Vorcaro e Galípolo, o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Augusto Lima, então CEO do Banco Master.
Não há qualquer outro indício de relação entre Lula e Vorcaro desde então.
Plano do Master para o BTG
Documento obtido pelo Uol, elaborado em 10 de abril de 2025, mostrou que Vorcaro possuía um plano estruturado para uma proposta de venda do Master ao BTG. A meta era atingir uma cisão parcial, em que os ativos do banco seriam transferidos para o Banco Master de Investimento (BMI) ao invés da empresa compradora.
Nessa proposta, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) seria responsável por comprar o capital do BMI por valor simbólico para oferecer R$ 5 bilhões em crédito e cobrir os vencimentos de CDBs. A proposta também foi levada ao BTG.
Se aceitasse, o BTG ainda receberia uma taxa de gestão de 1,25% ao ano sobre o valor contábil inicial dos ativos — um valor equivalente a até R$ 544 milhões por ano. Nesse sentido, os gastos com uma possível recuperação seriam embolsadas pelo FGC.
O plano previa ainda que contingências do BMI e do BTG Pactual, incluindo as “decorrentes de quaisquer outras sociedades do grupo do Banco Master e/ou de seus controladores” seriam indenizadas pelo FGC.
Vorcaro e Lula estão ligados?
Vale destacar que não há qualquer informação disponível até o momento nas investigações que imputem crime a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro nas relações expostas pelos documentos divulgados.
Ainda assim, a única ligação entre o presidente Lula e o ex-dono do Master é esta reunião realizada em 2024, quase um ano antes da deflagração da Operação Compliance Zero e liquidação do Master.
Por sua vez, foi confirmado que Flávio e Vorcaro negociavam valores milionários com o objetivo de financiar um filme biográfico sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

