Kevin Warsh assume nesta semana seu posto como novo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. No entanto, ele já entra em um cenário desafiador: inflação acima da meta oficial de 2%, enquanto investidores reduziram as expectativas de cortes nos juros e pressão do governo para uma redução das taxas.
Em geral, a troca do líder do Fed acontece após diversas críticas — e inclusive investigação — do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o atual chair do Fed, Jerome Powell. Para Trump, a instituição deveria reduzir os juros e pressiona a diretoria para isso, visando um fortalecimento da economia americana.
No entanto, o papel do Federal Reserve é definir a política de juros do país, buscando controlar a inflação e manter estabilidade do sistema financeiro. Com o cenário global em incertezas, especialmente relacionadas à guerra do Irã, exigem certa cautela.
O Senado americano aprovou o nome de Warsh por 54 votos a 45. A relação de Warsh com aliados próximos de Trump, como Ronald Lauder, foi considerada um fator importante para sua aprovação. Lauder é um empresário conhecido por sua proximidade com grupos políticos relacionados aos republicanos.
A próxima reunião do Federal Reserve está marcada para os dias 16 e 17 de junho e a expectativa predominante é de uma postura inicialmente cautelosa por parte Warsh. No entanto, qualquer decisão impacta todos os mercados globais.
O que acontece no Brasil se o Fed cortar os juros?
Caso Warsh opte por cortar as taxas de juros americanas, como deseja Trump, os efeitos podem ser positivos para o Brasil.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, explica que um eventual corte de juros nos EUA tende a aliviar parcialmente as condições financeiras globais e aumentar o espaço para fluxo de capital em direção a emergentes, principalmente países com juros reais ainda elevados e moedas descontadas.
“Para o Brasil, isso normalmente significa pressão menor sobre o dólar, melhora relativa da Bolsa e fechamento parcial da curva longa de juros, especialmente se o movimento vier acompanhado de desaceleração controlada da economia americana e não de recessão forte”, afirma.
O país pode ser um dos principais beneficiários dessa medida, especialmente pelo alto retorno de juros reais. Um levantamento mostrado pelo O Brasilianista mostra que o Brasil possui o segundo maior juro real do mundo.
Ranking Mundial de Juros Reais body { font-family: Arial, sans-serif; } table { border-collapse: collapse; width: 400px; } th, td { border: 1px solid #000; padding: 4px; text-align: left; } th { background-color: #0b2a4a; color: #fff; } .header { background-color: #0b2a4a; color: #fff; font-weight: bold; } .footer { font-weight: bold; } Ranking País Ex ante 1Rússia9,67% 2Brasil9,33% 3México6,09% 4África do Sul4,63% 5Indonésia3,31% 6Hungria3,02% 7Colômbia2,63% 8Polônia2,61% 9República Tcheca2,21% 10Índia2,19% 11Israel2,09% 12Chile2,03% 13Austrália1,62% 14Coreia do Sul1,35% 15China1,29% 16Tailândia1,21% 17Malásia1,18% 18Reino Unido1,16% 19Bélgica1,07% 20Estados Unidos0,97% 21Hong Kong0,94% 22França0,84% 23Cingapura0,82% 24Turquia0,76% 25Itália0,75% 26Suécia0,74% 27Canadá0,68% 28Grécia0,44% 29Espanha0,37% 30Alemanha0,37% 31Dinamarca0,31% 32Portugal0,21% 33Holanda0,11% 34Nova Zelândia0,10% 35Filipinas0,09% 36Áustria0,03% 37Taiwan-0,15% 38Suíça-0,21% 39Argentina-1,15% 40Japão-1,56% Média Geral1,58%Corte de 25 bp

