Está marcada para esta sexta-feira (22) a posse de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
A troca de comando acontece após um longo período de tensão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o atual chair do Fed, Jerome Powell. Portanto, Warsh não enfrentará cenário simples, não apenas pela substituição, mas também pela pressão de reduzir os juros em um momento no qual a inflação segue aumentando devido à guerra com o Irã.
O Senado americano aprovou o nome de Warsh por 54 votos a 45. A indicação foi tratada como uma mudança importante na relação entre o governo e o Federal Reserve, que nos últimos anos acumulou divergências públicas sobre juros e política monetária.
Isso porque Trump vinha criticando Powell de forma frequente desde o primeiro mandato, pressionando mais fortemente por uma queda dos juros para estimular a economia. Powell, por sua vez, anunciava aumentos ou equilíbrio das taxas em uma postura mais cautelosa diante da inflação.
Warsh enfrentará uma inflação acima da meta oficial de 2%, enquanto investidores reduziram as expectativas de cortes nos juros ao longo dos próximos meses.
Vale lembrar que o Federal Reserve é responsável por definir a política de juros do país, controlar a inflação, supervisionar bancos e atuar para manter a estabilidade do sistema financeiro americano. As definições do Fed impactam diretamente nos mercados internacionais.
O que esperar da primeira reunião do Fed com Warsh?
A próxima reunião do Federal Reserve está marcada para os dias 16 e 17 de junho. Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a expectativa predominante é de uma postura inicialmente cautelosa por parte Warsh, apesar da percepção de que sua chegada possa tornar o Fed marginalmente mais inclinado a cortes no médio prazo.
“O problema é que a inflação americana voltou a acelerar recentemente, impulsionada principalmente pelo choque de energia e pela resiliência da atividade, o que limita bastante qualquer movimento imediato de flexibilização”, afirmou ao O Brasilianista.
Para evitar uma provocação direta a Trump, é possível que as taxas sigam iguais nesta reunião, mas um eventual corte de juros poderia aliviar parcialmente as condições financeiras globais e aumentar o fluxo de capital estrangeiro em outros países.
Warsh é próximo de Trump
A relação de Warsh com aliados próximos de Trump foi considerada um fator importante para sua aprovação no Senado. Ele possui relação familiar com Ronald Lauder, empresário conhecido por sua proximidade com grupos políticos ligados ao presidente americano.
Outro fator que o ajudou na votação foi sua posição sobre política monetária distinta a Jerome Powell. Na visão do governo e dos investidores, o novo chair do Fed é visto como mais favorável à redução das taxas para incentivar a atividade econômica.
É importante destacar que Powell segue atuando diretamente nas decisões de política monetária, visto que seguirá no conselho da instituição. No entanto, o presidente é o responsável por convencer os colegas da decisão monetária e vira o rosto oficial do Fed.

