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Geopolítica

Como Xi Jinping se tornou líder global disputado por Trump e Putin

Presidente chinês usou encontros consecutivos com os líderes dos Estados Unidos e da Rússia para reforçar imagem de potência

Como Xi Jinping se tornou líder global disputado por Trump e Putin

O encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Pequim não foi tratado pelo governo chinês apenas como uma reunião diplomática entre duas potências.

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A visita do presidente americano acabou sendo usada por Pequim como uma demonstração pública de força política, econômica e estratégica da China diante do mundo.

Dias depois de receber Trump, Xi repetiu praticamente a mesma cerimônia para Vladimir Putin. Segundo análise publicada pela BBC, a sequência das visitas ajudou a consolidar a imagem do líder chinês como dirigente capaz de dialogar simultaneamente com rivais globais sem se subordinar a nenhum deles.

O cenário representa uma mudança significativa em relação ao período posterior à pandemia, quando a China enfrentava desgaste diplomático, críticas internacionais e crescente tensão comercial com o Ocidente.

Segundo Alex Terras, especialista ouvido pelo O Brasilianista, o atual contexto internacional favorece o fortalecimento da influência chinesa justamente porque o mundo se tornou economicamente interdependente.

“Diferente do século XX, o cenário contemporâneo é marcado por uma interdependência econômica profunda e cadeias produtivas globais integradas, o que torna a ideia de dois blocos isolados e auto suficientes uma impossibilidade prática”, afirma.

Xi utilizou Trump e Putin para reforçar imagem global

A recepção oferecida a Trump e Putin teve forte valor simbólico para a política externa chinesa. Xi Jinping apareceu durante toda a semana como o principal centro das atenções diplomáticas globais, reforçando a narrativa de que “todos os caminhos agora levam a Pequim”.

A estratégia chinesa ocorre em um momento no qual Trump enfrenta desgaste político provocado pela guerra no Oriente Médio e pela desaceleração econômica americana, enquanto Putin permanece pressionado pelos custos da guerra na Ucrânia.

Xi aproveitou justamente esse ambiente de fragilidade dos dois líderes para reforçar a posição da China como potência estável e indispensável nas negociações internacionais.

Controle interno ajudou Xi a concentrar poder

O fortalecimento internacional da China também acompanha o processo de concentração de poder promovido por Xi Jinping dentro do próprio Partido Comunista Chinês.

Poucos imaginavam há uma década que Xi se tornaria o líder chinês mais poderoso desde Mao Tsé-tung.

A ascensão dele começou apoiada pela influência familiar. Xi pertence ao grupo conhecido como “príncipes vermelhos”, descendentes de dirigentes históricos do Partido Comunista Chinês.

Xi inicialmente era visto como um nome capaz de agradar diferentes alas do partido. Mas o cenário mudou rapidamente após sua chegada ao poder.

Xi assumiu imediatamente o controle da Comissão Militar Central, órgão responsável pelas Forças Armadas chinesas, e iniciou uma ampla ofensiva contra opositores internos.

O governo também realizou expurgos militares e campanhas anticorrupção que atingiram antigos líderes influentes do Exército de Libertação Popular.

As ações serviram como recado direto para qualquer grupo que pudesse ameaçar a autoridade do presidente chinês.

Economia fortaleceu posição internacional da China

O avanço econômico chinês foi outro fator central para ampliar o protagonismo de Xi Jinping no cenário global.

Como mostrou O Brasilianista, Pequim considera sua força industrial e comercial um dos principais instrumentos de pressão diplomática diante dos Estados Unidos.

A China domina atualmente setores estratégicos como terras raras, energia verde, semicondutores e cadeias globais de exportação.

Além disso, o país ampliou investimentos internacionais enquanto Washington enfrentava crises políticas internas e conflitos externos.

Após anos de confrontos diplomáticos agressivos durante a pandemia, Pequim passou a adotar postura mais pragmática para recuperar investimentos estrangeiros e fortalecer relações comerciais.

Nesse período, a China retomou aproximação com países como Austrália, Reino Unido e Canadá, aliados históricos dos Estados Unidos.

Líderes europeus também passaram a ampliar o diálogo com Pequim em busca de acordos comerciais envolvendo a segunda maior economia do planeta.

Taiwan e inteligência artificial seguem como focos da disputa

Apesar do tom diplomático exibido durante a reunião com Trump, a rivalidade entre China e Estados Unidos continua concentrada em temas considerados estratégicos.

Taiwan permanece como o principal ponto de tensão entre os dois países. Xi Jinping afirmou durante a reunião que a ilha representa “a questão mais importante” da relação bilateral.

Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica envolvendo inteligência artificial e semicondutores avançados ampliou o conflito econômico entre Washington e Pequim.

Alex Terras avalia que esses temas possuem hoje caráter praticamente inegociável para ambos os governos.

“Quando as discussões atingem temas como a autonomia de Taiwan, o controle sobre dados de inteligência artificial ou a liderança em infraestrutura crítica, há pouco espaço para o compromisso diplomático tradicional”, afirma.

O especialista considera que a competição atual ultrapassa o comércio e envolve diretamente soberania nacional, segurança militar e domínio tecnológico.

Xi ainda enfrenta desconfiança internacional

Xi Jinping ainda enfrenta resistência significativa no Ocidente. As críticas internacionais relacionadas à repressão em Hong Kong, aos direitos humanos em Xinjiang e ao autoritarismo do governo continuam afetando a imagem chinesa em diversos países.

Além disso, Pequim também enfrenta questionamentos sobre sua postura diante da guerra na Ucrânia. Xi pediu o fim do conflito no Oriente Médio, mas evitou condenar diretamente a invasão russa ao território ucraniano.

O posicionamento foi interpretado por analistas como tentativa de preservar a parceria estratégica entre China e Rússia sem romper completamente o diálogo com Europa e Estados Unidos.

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