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Justiça

Caso Master pode atingir a imagem da PF?

Levantamento da AtlasIntel mostrou que 56% dos brasileiros dizem confiar na Polícia Federal

Caso Master pode atingir a imagem da PF?

A descoberta de que um perito da Polícia Federal (PF) teria vazado informações sensíveis da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master, ampliou uma disputa interna entre delegados e peritos da corporação.

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O episódio ocorre menos de dois meses após uma pesquisa AtlasIntel indicar a PF como a instituição com maior nível de confiança entre os brasileiros, com 56% de aprovação.

Como informado pelo O Brasilianista, o vazamento passou a ser usado por delegados federais como argumento para defender maior controle sobre as perícias e o compartilhamento de provas dentro das investigações.

A discussão ocorre em meio às apurações da Operação Compliance Zero, aberta para investigar suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

Disputa interna ganhou novo capítulo

Delegados e peritos da Polícia Federal travam há anos uma disputa institucional sobre os limites de atuação de cada área dentro das investigações criminais.

Os peritos defendem independência técnica na produção de laudos e análises, enquanto delegados afirmam que a condução da apuração deve permanecer centralizada na autoridade policial responsável pelo caso.

A tensão aumentou após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, realizadas entre novembro e dezembro de 2025.

O vazamento de dados da investigação, atribuído a um integrante da perícia, reforçou o discurso de delegados que defendem mais controle sobre o acesso às provas e documentos sigilosos.

Integrantes da corporação passaram a avaliar que o episódio poderá influenciar futuras discussões internas sobre autonomia técnica e cadeia de custódia dentro da PF.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) informou, em nota, que acompanha os desdobramentos da sétima fase da operação e afirmou que atuará para garantir “a observância do devido processo legal, da preservação da cadeia de custódia e da atuação técnico-científica no caso”.

A entidade também declarou que prestará apoio jurídico ao perito citado na investigação.

Levantamento colocou PF no topo da confiança pública

A pesquisa AtlasIntel realizada em parceria com o Estadão mostrou que a Polícia Federal aparecia, em março deste ano, como a instituição de maior confiança entre os brasileiros.

O levantamento apontou que 56% disseram confiar na corporação, enquanto 30% afirmaram não confiar.

O estudo ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa avaliou a percepção da população sobre instituições públicas, Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio caso Master.

Os dados também mostraram que o tema já havia alcançado alto nível de conhecimento público no período da coleta.

Segundo a AtlasIntel, 74,7% dos entrevistados disseram conhecer detalhes do escândalo envolvendo o Banco Master.

Para 76,9% dos entrevistados, fatores externos, como partidos ou grupos poderosos, estariam interferindo no julgamento envolvendo o Banco Master no STF.

O levantamento ainda mostrou que 66,1% acreditavam existir envolvimento direto de ministros do Supremo no caso.

Já 49,3% afirmaram que o ministro Dias Toffoli deveria sofrer impeachment imediato por suspeitas relacionadas ao episódio.

Caso passou a produzir impacto além do sistema financeiro

A repercussão da Operação Compliance Zero deixou de atingir apenas o setor bancário e passou a produzir efeitos sobre instituições ligadas ao Judiciário e à investigação criminal.

A própria pesquisa AtlasIntel dedicou uma seção inteira ao caso Master, relacionando o tema à confiança pública no STF e à percepção de interferência política.

O levantamento também indicou desgaste mais amplo nas instituições do sistema de Justiça. O Supremo Tribunal Federal registrou 60% de desconfiança entre os entrevistados, enquanto apenas 34% disseram confiar na Corte.

Dentro desse contexto, integrantes da PF passaram a avaliar reservadamente que o vazamento envolvendo a perícia pode ampliar o risco de desgaste para a corporação, justamente num momento em que a instituição aparecia em posição mais favorável perante a opinião pública.

A própria estrutura da investigação também ganhou dimensão política nos últimos meses. O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras, movimentações bilionárias, decisões do STF e apurações sobre relações entre empresários, operadores financeiros e integrantes do sistema público.

Segundo a pesquisa AtlasIntel, 62% dos entrevistados concordaram totalmente com a afirmação de que “há um excesso de sigilo no caso do Banco Master que prejudica a confiança da sociedade”.

O levantamento apontou ainda que 60% discordaram totalmente da frase segundo a qual o STF “trata todos os investigados da mesma forma, independentemente de poder econômico ou político”.

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