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Política

Flávio diz que devolverá dinheiro para tentar estancar a crise Dark Horse

Senador anunciou medidas sobre recursos do filme inspirado em Jair Bolsonaro após repercussão nacional do caso envolvendo Daniel Vorcaro

Flávio diz que devolverá dinheiro para tentar estancar a crise Dark Horse

O senador Flávio Bolsonaro afirmou, na última terça-feira (19), que pretende devolver os valores investidos pelo empresário Daniel Vorcaro na produção do filme ‘Dark Horse’, obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante pronunciamento à imprensa, o parlamentar declarou que os recursos ligados ao empresário serão separados e deixados à disposição das autoridades brasileiras assim que o longa começar a gerar arrecadação.

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Conforme já explicado pelo O Brasilianista, Flávio afirmou que o dinheiro aplicado por empresas ligadas a Vorcaro será reservado para eventual análise judicial. O senador também informou que pediu uma prestação de contas detalhada sobre todos os investimentos feitos na produção audiovisual e disse que a documentação deverá ser apresentada em até 30 dias.

A fala ocorreu após dias de desgaste político envolvendo mensagens, áudios e comprovantes bancários divulgados pelo Intercept Brasil sobre a captação de recursos privados para o filme. O caso passou a atingir diretamente a pré-candidatura presidencial do senador e ampliou a pressão dentro do campo bolsonarista.

“E o meu outro pedido, o jurídico também concordou, é que, assim que o filme começar a dar o resultado, o valor que foi aplicado no filme em função do investimento, por intermédio dessa empresa indicada pelo Daniel Vorcaro, vai ser separado para que fique à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entender que está dentro da lei”, disse Flávio, em pronunciamento à imprensa.

Crise Dark Horse: como começou o caso?

Segundo O Brasilianista, a crise começou após a divulgação de mensagens, comprovantes bancários e áudios relacionados ao financiamento de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro produzido nos Estados Unidos. Os documentos apontam negociações que chegaram a US$ 24 milhões envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

As investigações indicam que ao menos US$ 10,6 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para estruturas ligadas à produção cinematográfica. Os registros incluem cronogramas de pagamentos, cobranças sobre atrasos em remessas financeiras e diálogos entre Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o deputado Mario Frias e Daniel Vorcaro.

Os recursos eram enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas. A Polícia Federal passou a investigar o destino do dinheiro e possíveis conexões entre as movimentações financeiras e aliados políticos ligados ao projeto.

As mensagens divulgadas também mostram aproximação entre Flávio e Vorcaro desde dezembro de 2024. Em um dos diálogos revelados, o senador escreveu ao empresário um dia antes da prisão dele: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

A repercussão aumentou porque Flávio Bolsonaro negou inicialmente qualquer relação com Vorcaro antes de admitir publicamente que buscou investidores privados para o longa. O senador passou a afirmar que o projeto foi financiado sem dinheiro público, sem Lei Rouanet e sem participação do mandato parlamentar.

Pronunciamento e nota divulgada por Flávio Bolsonaro

O Brasilianista também apurou que Flávio Bolsonaro afirmou que omitiu inicialmente a relação com Vorcaro por causa de cláusulas de confidencialidade ligadas ao contrato internacional do filme. Durante entrevista exclusiva à CNN Brasil, o senador pediu desculpas após negar o vínculo nos primeiros dias da crise.

“Se alguém não compreendeu a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas”, declarou.

Flávio aproveitou o momento para divulgar uma nota oficial defendendo a investigação do caso e cobrando a instalação de uma CPI do Banco Master.

Leia na íntegra:

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já“.

Pesquisa Atlas mostra impacto eleitoral

A crise envolvendo “Dark Horse” já provocou efeitos sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na última terça-feira (19) mostrou queda do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O levantamento apontou Lula com 48,9% das intenções de voto e Flávio com 41,8%. Em abril, os dois apareciam em situação de empate técnico. A distância atual chegou a 7,1 pontos percentuais.

A pesquisa também mostrou que 95,6% dos entrevistados disseram conhecer o caso envolvendo as mensagens vazadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Entre os entrevistados, 51,7% afirmaram acreditar que as conversas representam evidências de envolvimento direto do senador com o escândalo do Banco Master.

Outro dado apontou que 45,1% consideram que o episódio enfraqueceu muito a candidatura presidencial do parlamentar. O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06939/2026.

PL aciona TSE contra pesquisa

Ainda segundo informações do O Brasilianista, o Partido Liberal (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. A sigla argumenta que o questionário aplicado pelo instituto teria criado um ambiente negativo contra Flávio Bolsonaro antes das perguntas sobre intenção de voto.

Na ação, o partido afirma que parte do levantamento mencionava Daniel Vorcaro, o Banco Master e os áudios divulgados pela imprensa. O PL sustenta que oito das 48 perguntas continham referências ao caso e poderiam induzir respostas desfavoráveis ao senador.

“O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura. Essa cadeia produz contexto, não mera medição”, afirma trecho da ação apresentada ao tribunal.

O partido também pediu acesso aos microdados da pesquisa, aos materiais usados durante as entrevistas e ao áudio reproduzido aos participantes do levantamento. A legenda solicita ainda que futuras divulgações tragam alertas sobre o caráter considerado “estimulativo” do questionário.

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, respondeu às críticas nas redes sociais e afirmou que “não há nenhum problema metodológico” na pesquisa. O executivo também aproveitou a oportunidade para rebater a acusação de que o áudio teria influenciado diretamente os cenários eleitorais apresentados pela pesquisa.

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