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Política

Como Lula pode usar o áudio vazado de Flávio Bolsonaro em sua campanha eleitoral?

Especialista explica a estratégia eleitoral de Lula diante do ocorrido

Como Lula pode usar o áudio vazado de Flávio Bolsonaro em sua campanha eleitoral?

Como noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro abre um leque de possibilidades no cenário político. Diante dos desdobramento do caso, outros políticos ganham ou fortalecem sua força faltando menos de cinco meses para as eleições deste ano.

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Um nome que pode se beneficiar diante do ocorrido é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em constante empate técnico nas intenções de voto junto a Flávio e, com as investigações acontecendo, pode ter certa vantagem para o eleitorado.

Estratégia de campanha de Lula

Diante do cenário eleitoral atual e das investigações que ocorrem perante o caso, O Brasilianista realizou uma entrevista exclusiva com Luiz Renato Ribeiro Ferreira, sociólogo, mestre em Ciência Política e especialista em Gestão e Avaliação de Políticas Públicas pela Universidad de Deusto na Espanha. Antes de falar sobre mudanças na campanha eleitoral de Lula, o especialista “deu um passo atrás” e relembrou o cenário no momento da indicação de Flávio Bolsonaro.

“Desde a indicação do nome de Flávio Bolsonaro para liderar a frente anti-Lula, o comando da campanha do presidente sempre acreditou que este seria seu melhor cenário, pois viam em Flávio um adversário frágil, inexperiente e com muitos telhados de vidro. Com o passar do tempo aquela análise, vamos dizer, subiu no telhado, pois Bolsonaro se consolidou como um forte oponente”, destaca.

Sobre a percepção de Lula com esse caso, Luiz Renato fala sobre uma possível mudança de estratégia adotada com esses vazamentos e na visão do presidente diante de um candidato que está passando por isso antes das eleições.

“Entretanto, não há uma mudança radical da estratégia da campanha de Lula, pois a percepção inicial sobre a fragilidade e inexperiência se confirmam agora, tanto com os vazamentos, mas principalmente em relação à incapacidade do candidato da extrema-direita para responder adequadamente à crise, estando sempre um passo atrás das notícias que aparecem na imprensa. Nesse sentido, a estratégia continua a mesma: destacar a experiência, as realizações e capacidades e criticar o passado e a inexperiência de seu oponente”, disse o especialista.

Terceirização de ataques

Na avaliação de Luiz Renato, o presidente e o senador possuem duas formas distintas de atacarem e se defenderem na política moderna, tanto explorando as fraquezas de seu adversário quanto evitando uma maior exposição.

“Uma das características da política moderna é a sua capacidade de terceirizar ataques, por meio de influenciadores digitais, contas de redes sociais e estratégias digitais que exploram as fraquezas dos adversários em terceira pessoa. Enquanto Flávio Bolsonaro ataca em primeira pessoa, Lula se defende e contra-ataca por meio de outras fontes. Isso permite menor exposição, enquanto, supostamente, ele está focado apenas no exercício da presidência”, afirma o sociólogo.

Sobre os eleitores, o cientista político ainda fala sobre a atenção diante da criação de discursos e do controle de engajamento, pelas quais são estratégia que, quando combinadas, controlam o nosso algoritmo.

“O eleitor deve ter em mente que vivemos sob o poder dos algoritmos, que criam discursos, influenciam debates, geram radicalização involuntária e controlam o engajamento. Isso é importante porque permite uma combinação incrível de estratégias capazes de preservar a imagem institucional, enquanto no digital a guerra esteja em pleno funcionamento”, completa.

Impactos na percepção do eleitor

Quando perguntado sobre o real impacto desse tipo de acontecimento na decisão do eleitor durante a campanha presidencial, Luiz Renato explicou que, atualmente, os eleitores não reagem mais de uma forma única como era antigamente.

“Até pouco tempo atrás o termo ‘eleitores’ possuía quase que um sentido único, uniforme, ou seja, os eleitores irão reagir de forma A ou B mediante um discurso, os eleitores se preocupam com X ou Y em um debate eleitoral. Hoje não existe mais o conceito dos ‘eleitores’ como uma massa única que se movimenta da mesma forma. Hoje existem várias categorias de eleitores, cada uma com suas demandas, valores, medos etc. Portanto, a ética, a transparência e o uso de recursos privados têm sim um impacto real sobre as percepções dos eleitores, mas apenas para um determinado grupo muito específico. A questão é: quanto essas questões influenciam os eleitores independentes, ou seja, que não são nem bolsonaristas e nem lulistas de carteirinha? Essa pergunta é importante porque são eles que decidirão as eleições”, afirmou.

Potencial do caso

Sobre a questão do impacto da polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o cientista político falou sobre a relevância do caso e de um possível desfecho para a campanha eleitoral. Além disso, citou a importância das pesquisas para maiores resoluções.

“Me parece que este caso tem até o potencial de implodir a candidatura de Flávio, portanto ele é extremamente relevante, uma vez que, de fato, é bastante grave. Mas serão as próximas pesquisas que darão o tom e o peso de sua gravidade. No momento a campanha de Lula observa e terceiriza os ataques, enquanto a campanha de Flávio procura gerar um clima de normalidade, apostando no esfriamento do tema. É claro que, quando a campanha estiver nas ruas, outros temas serão mais relevantes, desde que novos fatos não apareçam”, pontuou o especialista.

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