Como noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a Polícia Federal (PF) recusou, na última terça-feira (20), a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada diante das informações oferecidas por Vorcaro, pelas quais foram consideradas aquém do que deveria ser contado às autoridades responsáveis pelas investigações.
A oficialização dessa recusa foi realizada dois dias após Vorcaro ter sido transferido para uma cela comum da Superintendência da corporação em Brasília. Os responsáveis pelo caso consideraram que houve omissão de detalhes por parte do ex-banqueiro, protegendo pessoas que acabaram contribuindo com a manutenção do funcionamento do esquema de fraudes do Master. Porém, mesmo com essa rejeição, a delação de Vorcaro não está totalmente perdida.
Negociação com a PGR
Com a recusa por parte da PF, a defesa de Daniel Vorcaro agora seguirá em negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que sinalizou, na tarde do mesmo dia da rejeição, em Brasília, o interesse em dar prosseguimento com a colaboração premiada.
As fontes que estão ligadas às negociações afirmam haver um potencial material até o momento para que o ex-banqueiro entregue autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional, porém há o receio de que as ligações do advogado José de Oliveira Lima e de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com os ministros da Corte possam acabar travando essa possibilidade.
Para esse processo de negociação, três pontos são considerados essenciais. O primeiro são os valores que devem ser ressarcidos por Vorcaro, algo que equivale cerca de R$ 50 bilhões. Outro ponto é o alcance político do caso. E, por fim, a extensão do cumprimento da pena, já que o dono do Banco Master tem solicitado o cumprimento da pena domiciliar até o momento do julgamento, pelo menos.
Rejeição da Polícia Federal
Segundo O Brasilianista, além das informações consideradas incompletas pelos responsáveis na investigação, outro ponto conflitante são os valores que foram exigidos para o ressarcimento dos prejuízos causados pelo esquema financeiro. A defesa de Daniel Vorcaro realizou uma proposta de R$ 40 bilhões para serem devolvidos ao longo de dez anos. Porém, o Ministério Público Federal e a PF exigiram um pagamento superior, algo que gira em torno de R$ 60 bilhões, além de um prazo menor para a compensação dos danos causados.
Antes da transferência para a cela comum da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, o ex-banqueiro permanecia numa cela de Estado-Maior, que havia sido reformada anteriormente para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa alteração em sua custódia passou a ser interpretada como uma forma de desgaste nas negociações entre os investigadores e a defesa de Vorcaro nos bastidores da investigação.
Agora, diante da recusa feita pela PF, Vorcaro e sua defesa partem para a primeira opção do ex-banqueiro, que é justamente a negociação com a PGR. O interesse por parte deles para o prosseguimento da colaboração premiada é a principal solução encontrada nesse momento.

