A saída de Marcello Lopes da chefia de comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou a lista de personagens atingidos politicamente pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Caso Master.
O publicitário deixou o cargo nesta quarta-feira (20), poucos dias após a repercussão sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo Fischer foi chamado para atuar como consultor de comunicação e reorganizar a equipe de marketing da campanha presidencial de Flávio.
A mudança ocorreu depois do avanço da crise envolvendo as relações entre integrantes do PL e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master investigado pela Polícia Federal.
Marcello Lopes, conhecido nos bastidores políticos como Marcelão, era considerado um dos nomes mais próximos de Flávio Bolsonaro dentro da estrutura de comunicação da pré-campanha.
O empresário havia retornado dos Estados Unidos no momento em que a repercussão sobre o financiamento do filme biográfico do ex-presidente ganhou dimensão nacional.
Mudanças atingiram núcleo da campanha
Marcelão decidiu deixar a equipe para priorizar os próprios negócios e a família. Pessoas ligadas ao grupo político afirmaram que o empresário voltará aos Estados Unidos para compromissos pessoais após deixar a coordenação de marketing.
Eduardo Fischer assumirá a função de consultor responsável pela futura estrutura de comunicação da campanha. Fischer é próximo de Flávio Bolsonaro e circula há anos entre aliados do senador em Brasília.
A troca ocorreu uma semana depois do anúncio oficial de Marcello Lopes como chefe de comunicação da pré-campanha presidencial. A saída aconteceu após a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede ajuda financeira a Daniel Vorcaro.
Relação com Vorcaro ampliou desgaste
Uma ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse” apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares na cidade de São Paulo.
A entidade é controlada por Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora do longa sobre Jair Bolsonaro.
As prestações de contas da ONG incluíam notas canceladas e recibos sem comprovação fiscal suficiente para justificar despesas milionárias registradas entre 2024 e 2025.
A investigação passou a atingir diretamente Flávio Bolsonaro porque o senador admitiu ter buscado financiamento privado para o filme. Entre os investidores citados nas apurações está Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero.
Flávio teria solicitado aproximadamente US$ 24 milhões para custear a produção cinematográfica. O valor equivalia a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época das transações investigadas.
Contradições atingiram aliados próximos
A crise também atingiu Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias, ambos ligados ao projeto audiovisual. Eduardo afirmou inicialmente que não participou da gestão financeira do fundo usado no filme nos Estados Unidos.
Porém, os documentos obtidos pelo Intercept apontavam Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo com poder de gestão sobre recursos do projeto cinematográfico.
Mário Frias também modificou publicamente a versão apresentada sobre a origem do dinheiro utilizado na produção. Em um primeiro momento, declarou que não havia recursos de Daniel Vorcaro no filme. Posteriormente, reconheceu participação indireta do Banco Master e do banqueiro no financiamento.
A própria Karina Ferreira da Gama passou a integrar o centro da crise após a divulgação de informações sobre empresas ligadas ao seu nome.
Apesar das produtoras registradas em nome da empresária, não havia histórico de lançamentos cinematográficos anteriores vinculados às companhias.
Pressão interna cresceu dentro do PL
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, precisou divulgar nota pública negando que tivesse estabelecido prazo para avaliar a viabilidade eleitoral da candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026.
A manifestação ocorreu depois da circulação de informações sobre um período interno de observação da recuperação do senador nas pesquisas após a repercussão da relação com Daniel Vorcaro.
No comunicado divulgado pelo partido, Valdemar afirmou que nunca tratou de “testar resistência” da candidatura presidencial de Flávio. O dirigente também declarou que comentários internos sobre pesquisas eleitorais teriam sido interpretados de maneira distorcida.
A crise atingiu ainda setores da coordenação política do PL ligados ao senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela articulação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Caso Master atingiu empresários e instituições
As investigações da Operação Compliance Zero passaram a envolver empresários, gestores financeiros, políticos e integrantes de órgãos públicos ligados ao sistema financeiro brasileiro.
Entre os personagens citados no caso estão Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); o empresário Nelson Tanure; o fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur; além do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus.
Daniel Vorcaro ganhou notoriedade no mercado financeiro após transformar o antigo Banco Máxima no Banco Master e oferecer CDBs com taxas acima das praticadas pelo mercado.

