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Economia

5 coisas que o MEI deve usar IA e 5 que não deve

“Inteligência artificial pode aumentar lucro do empresário, mas também destruir a identidade do negócio”, alerta especialista

5 coisas que o MEI deve usar IA e 5 que não deve

O avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) passou a transformar a rotina de microempreendedores individuais no Brasil.

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De pesquisas de mercado até campanhas publicitárias, a tecnologia começou a ocupar tarefas que antes exigiam mais tempo, dinheiro e contratação de serviços externos.

Para especialistas em gestão, porém, o uso da IA exige equilíbrio. Embora a tecnologia consiga ampliar produtividade e reduzir custos operacionais, algumas aplicações podem prejudicar a relação com clientes e comprometer a identidade do negócio.

Segundo Eduardo Bomfim Machado, consultor, palestrante e professor de Gestão do Centro Universitário Arnaldo, a inteligência artificial passou a funcionar como uma espécie de assistente operacional para o MEI, principalmente em atividades ligadas à organização e análise de dados.

“O que antes era função de barras de procura, navegadores que apresentavam centenas de respostas quase instantâneas, hoje, com a IA você pode pesquisar sobre fornecedores, rotas, clientes, comportamento, leis ou qualquer outra demanda de informação com muita precisão”, contextualiza.

O especialista avalia que essa capacidade permite decisões mais rápidas para pequenos empreendedores que normalmente trabalham sem equipes grandes ou consultorias permanentes.

“Tornando-se uma poderosa ferramenta para dar qualidade a informações e dados necessários à tomada de decisão”, complementa.

5 coisas que o MEI deve usar IA

1- Pesquisas de mercado e análise de concorrência

Entre os usos mais recomendados, Eduardo destaca a capacidade da IA de acelerar pesquisas sobre clientes, fornecedores e comportamento de mercado.

Segundo ele, pequenos empreendedores passaram a acessar informações estratégicas que antes exigiam muito mais tempo operacional.

“São várias fontes de informação, tais como governo, entidades, avanços tecnológicos que um MEI não poderia obter facilmente”, observa.

Na avaliação do professor, isso ajuda principalmente empreendedores que precisam tomar decisões rápidas em negócios menores. “Assim, o uso de IA contribui com esse procedimento”, acrescenta.

2 – Formação de preços e cálculos financeiros

Segundo Eduardo, muitos microempreendedores ainda enfrentam dificuldades para precificar serviços, calcular financiamentos ou organizar orçamentos.

“Quando não possuímos uma base de cálculo para formação de preços, empréstimos e financiamentos, absorção de custos e bases para orçamentos, a IA pode contribuir para um rápido aumento da nossa capacidade de calcular”, explica.

Apesar disso, ele alerta que os resultados precisam ser revisados pelo próprio empreendedor. “Mas reveja sempre os resultados, para não haver ‘alucinações’ dos mecanismos de perguntas das IAs disponíveis”, ressalta.

3 – Planejamento e tendências de mercado

Outro uso recomendado envolve análises de curto e médio prazo sobre tendências econômicas e comportamentos do consumidor. Segundo o especialista, a tecnologia ajuda microempreendedores a estruturar planejamento mesmo sem acesso a equipes técnicas.

“Ajudar a obter tendências de curto e médio prazo sobre variáveis de mercado para consolidar um plano de ação”, contextualiza. Na visão dele, a IA consegue reunir informações dispersas que normalmente não estariam disponíveis para pequenos negócios.

4 – Produção de campanhas e divulgação

Ferramentas de IA também passaram a auxiliar MEIs na criação de textos, vídeos, imagens e campanhas publicitárias. Segundo Eduardo, isso reduz custos de marketing e acelera processos de divulgação.

“O uso da IA pode rapidamente auxiliar em campanhas e peças de divulgação com alguma qualidade para as IAs gratuitas e muito profissionalismo para as IAs pagas”, detalha.

O especialista afirma que esse apoio é importante principalmente para empreendedores que acumulam várias funções ao mesmo tempo. “Um MEI normalmente não tem tempo disponível para criar campanhas, textos e outros elementos de divulgação”, observa.

5 – Solução rápida para softwares e aplicativos

A inteligência artificial também pode funcionar como suporte técnico para dúvidas operacionais do dia a dia. Segundo Eduardo, ferramentas de IA conseguem ajudar rapidamente em problemas envolvendo planilhas, aplicativos e programas de gestão.

“O uso da IA pode rapidamente apresentar uma solução que os próprios softwares são imprecisos ou têm conclusões difíceis. Assim, ao invés de assistir a um vídeo demorado de solução, cheio de propagandas, a IA lhe apresenta a solução em milésimos de segundo”, completa.

Em todos os usos, contudo, é fundamental o “trabalho humano”, ou seja, a checagem e apuração para garantir que aquela informação fornecida é verídica.

5 coisas que o MEI não deve usar IA

1 – Criar toda a identidade da marca

Apesar dos benefícios no marketing, Eduardo alerta que campanhas totalmente produzidas por inteligência artificial podem deixar a comunicação artificial e distante.

“A IA é uma poderosa ferramenta de marketing, mas deixar que ela crie tudo o que você precisa torna o resultado impessoal e frio”, pondera.

Segundo ele, o empreendedor precisa preservar características próprias da marca. “Você não pode perder a sua essência”, destaca.

2 – Buscar produtos sem relação com o cliente

Outro erro comum envolve usar IA para buscar tendências desconectadas da realidade do negócio. Segundo Eduardo, sugestões automatizadas nem sempre consideram a experiência do empreendedor ou o perfil do público atendido.

“Esse tipo de sugestão não terá grande aderência às competências do MEI ou às dores dos clientes de maneira específica”, alerta. Na avaliação dele, inovação sem estratégia pode gerar desperdício operacional.

3 – Automatizar totalmente o atendimento

O especialista também demonstra preocupação com o uso excessivo de chatbots em pequenos negócios. Segundo ele, o atendimento automatizado pode criar sensação de distanciamento justamente em empresas que dependem de contato mais próximo.

“Para as operações de um MEI causaria estranheza a ‘distância’ provocada por chatbots genéricos e limitados”, afirma. Ele ainda alerta para possíveis custos extras envolvendo plataformas automatizadas.

“Cuidado com essa decisão, pois um MEI sugere um atendimento mais próximo do seu cliente”, acrescenta.

4 – Tomar todas as decisões com base na IA

Segundo Eduardo, muitos empreendedores passaram a consultar inteligência artificial para praticamente toda decisão administrativa.

Na avaliação dele, isso pode comprometer a autonomia do gestor.“Nem sempre tudo aquilo que é apresentado é o mais adequado para o seu negócio”, contextualiza.

O professor afirma que ferramentas de IA trabalham com padrões gerais e podem não refletir necessidades específicas. “Perguntar o tempo todo para uma IA ‘o que fazer quando…’ sugere uma perda de capacidade de gestão”, avalia.

5 – Gastar tempo com pesquisas aleatórias

O especialista também alerta para o excesso de tempo gasto em testes, comandos e pesquisas pouco produtivas. Segundo Eduardo, muitos empreendedores acabam desviando atenção das atividades principais do negócio.

“Tempo é dinheiro e não ter um controle de quanto tempo utilizar essa ferramenta poderá comprometer outras demandas do dia de um MEI”, explica.

Na visão dele, a IA precisa ser usada de maneira objetiva e planejada. “Estabeleça uma agenda para se dedicar à busca e à criação daquilo que realmente você precise”, conclui.

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