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Economia

IA amplia ataques virtuais através de pressão psicológica, alerta especialista

Criminosos passaram a combinar inteligência artificial, vazamento de dados e intimidação presencial para pressionar vítimas

IA amplia ataques virtuais através de pressão psicológica, alerta especialista

O avanço da Inteligência Artificial (IA) passou a transformar o cenário global de crimes cibernéticos, ampliando não apenas a sofisticação dos ataques virtuais, mas também os impactos no mundo físico.

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Empresas de segurança digital e autoridades internacionais vêm registrando um crescimento de ameaças envolvendo intimidação presencial, perseguições, tentativas de extorsão e uso de informações pessoais vazadas para pressionar vítimas.

Relatório do FBI mostrou que as denúncias de crimes cibernéticos registradas nos Estados Unidos saltaram de 288 mil casos em 2015 para mais de 1 milhão em 2025. As perdas financeiras chegaram a US$ 20,8 bilhões no ano passado.

Grupos criminosos passaram a contratar pessoas para ameaçar funcionários de empresas presencialmente durante negociações de ataques ransomware.

Em alguns casos, criminosos utilizaram endereços residenciais, documentos pessoais e informações familiares para intimidar vítimas e forçar pagamentos.

Para Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub, empresa brasileira especializada em inteligência de dados, inteligência artificial e automação, o principal risco atualmente é a combinação entre tecnologia avançada e manipulação emocional.

Segundo Paes Junior, os criminosos passaram a explorar fatores humanos com muito mais eficiência do que no passado, especialmente com ferramentas de IA capazes de simular vozes, vídeos e mensagens corporativas legítimas.

Pressão psicológica virou parte central dos ataques

O crescimento dos chamados deepfakes elevou o nível de dificuldade para empresas identificarem tentativas de fraude. Áudios falsos de executivos, vídeos manipulados e mensagens automatizadas passaram a integrar estratégias usadas por quadrilhas digitais.

Muitos ataques deixam de parecer invasões técnicas tradicionais e começam a assumir aparência de comunicação corporativa comum.

“Uma empresa identifica um ataque quando percebe anomalias fora da rotina”, detalha Paes Junior.

O especialista contextualiza que pedidos urgentes de transferência bancária, alterações inesperadas de contas de fornecedores, solicitaões incomuns de senha e mensagens que envolvem pressão imediata estão entre os principais sinais de alerta.

“O sinal mais importante não é só técnico; é comportamental: pressa, segredo, autoridade e dinheiro juntos quase sempre indicam risco”, ressalta.

Recentemente que empresas globais passaram a ampliar investimentos em autenticação digital e monitoramento de identidade após o aumento de golpes com uso de inteligência artificial generativa.

Segundo Paes Junior, a capacidade de simular comportamentos humanos tornou os ataques mais difíceis de detectar até mesmo para profissionais experientes.

Vazamento de dados amplia risco fora das telas

A escalada dos crimes cibernéticos também começou a produzir consequências físicas. Criminosos passaram a utilizar informações pessoais obtidas em invasões para ameaçar funcionários e familiares de vítimas.

“Clientes recebendo mensagens falsas ou colaborador recebendo ordem ‘do chefe’ por áudio, vídeo ou ligação” já fazem parte da rotina observada em ataques recentes, aponta Paes.

A Europol também passou a monitorar casos de “violência como serviço”, modelo em que criminosos terceirizam intimidações físicas para pressionar vítimas de golpes digitais.

Além das ameaças presenciais, empresas enfrentam risco crescente de paralisação operacional. Em setores industriais, invasores conseguiram assumir controle remoto de máquinas e equipamentos automatizados.

Criminosos chegaram a ligar e desligar sistemas industriais remotamente para demonstrar capacidade de causar danos físicos em fábricas e centros logísticos.

Empresas enfrentam dificuldade para reagir rapidamente

O avanço dos ataques também expôs fragilidades internas em companhias que ainda não possuem protocolos claros de resposta. Segundo Paes Junior, um dos erros mais comuns ocorre quando vítimas tentam resolver o problema sem apoio técnico especializado.

“A primeira atitude é parar a interação e conter o dano”, orienta.

O executivo explica que a preservação de provas passou a ser fundamental para rastreamento financeiro e investigação criminal. Prints, boletos, registros de acesso, cabeçalhos de e-mail e comprovantes bancários podem ajudar autoridades a identificar responsáveis.

“Não clicar em mais nada, não responder ao golpista, não pagar, não apagar mensagens e não tentar resolver sozinho” são medidas consideradas essenciais logo após a identificação de uma fraude, acrescenta.

O Banco Central orienta vítimas de golpes via Pix a acionarem rapidamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), sistema criado para tentar recuperar valores transferidos em fraudes.

Paes Junior contextualiza que velocidade se tornou fator decisivo para reduzir prejuízos financeiros. “Quanto mais rápido houver resposta, maiores são as chances de contenção”, observa.

Inteligência artificial acelerou profissionalização do crime

A expansão das ferramentas de IA também reduziu barreiras técnicas para grupos criminosos. Sistemas automatizados passaram a gerar campanhas falsas em larga escala, criar mensagens personalizadas e simular comunicação empresarial com facilidade.

Ataques atuais costumam combinar phishing, clonagem de WhatsApp, boletos falsos, roubo de credenciais e falsificação de identidade digital.

O especialista avalia que empresas precisarão investir menos apenas em tecnologia e mais em treinamento humano e cultura de prevenção. “A blindagem começa com processos simples”, destaca.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão dupla aprovação para pagamentos, autenticação multifator, confirmação de alterações bancárias por canais oficiais e protocolos internos de validação.

Para Paes Junior, o cenário indica que os ataques devem continuar evoluindo nos próximos anos, principalmente porque organizações criminosas passaram a enxergar ganhos financeiros elevados em operações híbridas que unem tecnologia, engenharia social e intimidação direta.

“O ambiente digital deixou de produzir apenas impactos virtuais. Hoje, os efeitos atingem pessoas, operações e até a segurança física das vítimas”, conclui.

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