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Política

Chapa presidencial exclusiva de mulheres é viável nas eleições de 2026?

Partidos de direita cogitam levar Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro ao pleito

Chapa presidencial exclusiva de mulheres é viável nas eleições de 2026?

O Partido Liberal (PL) está planejando um feito histórico nas eleições do Brasil. Com o enfraquecimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, aliados no Centrão e mercado financeiro planejam criar uma chapa presidencial formada somente por mulheres.

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Conforme mostrou O Brasilianista, lideranças do bloco e banqueiros debatem sobre a possibilidade de viabilizar uma chapa com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.

A tentativa é estudada após o o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentar uma crise eleitoral após a divulgação de mensagens que comprovam transações financeiras realizadas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para Flávio, com o objetivo de financiar um filme biográfico de seu pai.

Mariana Carvalho, sócia-fundadora do escritório Mariana Carvalho Advogados, explica que o impacto de uma chapa feminina no Brasil seria principalmente político e comunicacional. A força dessa combinação em específico poderia causar verdadeira dor de cabeça ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.

“Em um cenário de polarização, uma candidatura formada exclusivamente por mulheres poderia buscar ampliar a identificação com o eleitorado feminino, que representa a maioria do eleitorado brasileiro. Além disso, poderia transmitir uma mensagem de renovação, sensibilidade social e fortalecimento da participação feminina na política, tema que vem ganhando cada vez mais relevância institucional e eleitoral”, revela.

No entanto, vale lembrar que esse não representa um movimento totalmente progressista. Apesar de serem duas mulheres em uma chapa eleitoral, algo que nunca aconteceu antes na história do Brasil, esse será um feito de duas mulheres que representam o conservadorismo. Na prática da política brasileira, somente esses perfis conseguem se destacar.

Ou seja, uma união de mulheres para a eleição presidencial poderia ser histórico, mas manter o discurso conservador e focado nas pautas de maior intervenção econômica e manter as decisões sobre o agronegócio. Em paralelo, seria um feito parecido com o da primeira-ministra do Japão: Sanae Takaichi é a primeira mulher a ocupar esse cargo no país, após cerca de 30 anos na carreira política, mas seu governo foca na aceleração econômica e até mesmo políticas de diminuição da imigração.

Influências de Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro

Os nomes são de peso. Afinal, Tereza Cristina é a atual senadora do Mato Grosso e uma das principais responsáveis por fomentar a indústria e as pautas do agronegócio em Brasília.

Sua influência é maior do que política, visto que seus negócios e fortuna da família garantem aliados de peso os quais Lula ainda precisa buscar.

Já Michelle Bolsonaro pode ser um nome potente, para além da sua representação do clã Bolsonaro: ela é politicamente relevante dentro do campo conservador e atua como uma das principais representantes do bolsonarismo. Sua força eleitoral decorre não apenas da associação com o ex-presidente, mas também da construção de uma imagem própria ligada ao eleitorado evangélico, conservador e feminino.

“Do ponto de vista eleitoral, Michelle possui potencial de transferência de capital político, forte capacidade de mobilização digital e bom desempenho em segmentos específicos do eleitorado. Entretanto, eventual candidatura dependeria de fatores jurídicos e estratégicos, especialmente diante do cenário de inelegibilidade de Jair Bolsonaro e das articulações partidárias para 2026”, afirma Carvalho.

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