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Geopolítica

As tensões de Donald Trump com a mídia nos EUA

O presidente americano teve como alvo dois programas de entrevista com comediantes que criticaram seu governo

As tensões de Donald Trump com a mídia nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, postou em suas redes sociais um vídeo feito por integliência artificial (IA) em que ele joga o apresentador e comediante Stephen Colbert em uma lata de lixo. A publicação aconteceu na última sexta-feira (22), um dia depois da última exibição do programa de Colbert, o Late Show, encerrado pela rede CBS após tensões e pressão do republicano.

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Trump vem demonstrando notório desconforto com os comediantes que realizam piadas sobre seu governo na mídia americana. Inclusive, ele quase fez com que o programa de Jimmy Kimmel fosse cancelado também após críticas ao presidente e o assassinato de Charlie Kirk.

No ano passado, Colbert anunciou que a temporada de 2026 seria a última do programa e ele não seria substituído, mostrando estar surpreso com a decisão. O talk show é um dos mais famosos e tradicionais dos Estados Unidos, estreando em 1993 com David Letterman — Colbert assumiu em 2015.

Trump já tinha declarado irritação com o comediante e já afirmou em suas redes sociais que o programa não gerava qualquer audiência e até mesmo que o apresentador era “chato”.

Contrato de Trump com a Paramount

A pressão de aliados do governo em cima da CBS para cancelar o programa teria se acentuado após um contrato firmado entre a Paramount, dona do canal estadunidense, e Donald Trump no valor de US$ 16 milhões para evitar um processo judicial. Colbert chamou o pagamento de “suborno”.

No entanto, a emissora descartou, em nota, qualquer relação entre o fim do programa e as questões da Paramount. A CBS explicou que o cancelamento aconteceu por questões financeiras “em meio a um ambiente desafiador” no horário noturno — que começa às 23h30, após o horário nobre.

O contrato se referia a uma ação judicial movida por Trump, no valor de US$ 20 milhões, indicando que a CBS teria editado de forma enganosa uma entrevista com a então vice-presidente e candidata à Casa Branca Kamala Harris. O republicano afirma que a equipe do programa de notícias “60 Minutes” teria ajustado a fala dela para dar respostas diferentes sobre a guerra entre Israel e Hamas.

Trump e Jimmy Kimmel

Essa não é a primeira vez que Trump tenta acabar com um programa de televisão apresentado por um comediante. Em geral, esse formato de programa é bem conhecido nos EUA, em que os apresentadores costumam trazer tom satírico às notícias ao redor do mundo, além de entrevistas com celebridades e nomes importantes.

No ano passado, o alvo foi Jimmy Kimmel, que apresenta o Jimmy Kimmel Live! na rede de televisão ABC, controlada pela Disney. A decisão de suspender o programa por tempo indeterminado veio após o apresentador fazer comentários sobre o suspeito de assassinar o ativista conservador Charlie Kirk.

Aliado do presidente republicano, Kirk foi morto a tiros em setembro do ano passado, enquanto discursava na Universidade do Vale de Utah, em Orem. O ataque foi feito enquanto Kirk participava de um debate sob uma tenda e câmeras registraram o momento.

Em um monólogo inicial do programa, Kimmel sugeriu que o acusado, Tyler Robinson, seria um republicano pró-Trump.

“A turma do MAGA está desesperada para caracterizar esse garoto que matou Charlie Kirk como qualquer coisa que não seja um deles e fazendo de tudo para tirar proveito político disso”, disse, segundo a imprensa americana. “Entre uma acusação e outra, também houve luto.”

Alguns dias depois, o programa voltou ao ar, em que o apresentador teve que se desculpar sobre o comentário.

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