Publicidade
Justiça

Advogado de Vorcaro se despede do caso após rejeição da delação premiada

A conversa com o STF azedou

Advogado de Vorcaro se despede do caso após rejeição da delação premiada

O advogado criminalista José Luís de Oliveira Lima, também conhecido como Juca, saiu da defesa de Daniel Vorcaro na última sexta-feira (22) após a conversa com o relator do caso Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça azedar.

Publicidade

O mal entrosamento entre a defesa e a relatoria culminou na rejeição da proposta de delação premiada do ex-dono do Banco Master na última quarta-feira (20) pela Polícia Federal (PF). O réu também mudou para uma cela comum da Superintendência da PF logo depois, reduzindo seu tempo de visita com a defesa. Ontem, no entanto, retornou para uma cela especial da sede da PF.

O Globo revelou que Juca se tornou uma “persona non grata” para Mendonça após alegar que iria recorrer à Segunda Turma do STF quando ouviu que o relator não aceitaria a proposta de delação premiada nos termos discutidos. O ministro encarou a fala como uma ameaça.

Para o advogado, a ideia era deixar implícito que uma provável tentativa de recorrer à Segunda Turma faria com que a decisão de Mendonça fosse derrubada com os votos dos ministros Nunes Marques e Gilmar Mendes. Vale lembrar que Dias Toffoli não participa do processo desde que se tornou suspeito nos julgamentos.

Em seguida, notícias de que Mendonça ficou insatisfeito pela delação não incluir o nome do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e de um encontro entre Juca e o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano de Azevedo Marques, teriam piorado a situação.

O encontro do advogado e Azevedo teria acontecido no dia em que a defesa de Vorcaro entregou a delação. A reunião levantou suspeitas de que Alexandre de Moraes, amigo próximo de Azevedo, estaria tentando monitorar a delação por meio dele.

A delação de Vorcaro até o momento

Os anexos apresentados pela defesa foram enviados no dia 6 de maio e reúnem relatos organizados por temas específicos, com indicação de pessoas mencionadas nas investigações e referências a elementos considerados úteis para comprovação das informações.

A análise do conteúdo será feita simultaneamente pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A partir dessa etapa, os investigadores decidem se o material possui relevância suficiente para continuidade das tratativas relacionadas à colaboração premiada.

Os documentos e informações deveriam trazer novos dados sobre o caso Master, para além das mensagens e documentos encontrados nos celulares apreendidos pela Operação Compliance Zero. Cada anexo corresponde a um assunto diferente dentro da apuração. Os documentos funcionam como divisões temáticas da proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro.

O Brasilianista indicou que a defesa também pretende incluir no acordo uma colaboração do empresário Fabiano Zettel, apontado nas investigações como operador financeiro de pagamentos ilícitos.

O nome de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que também negocia delação premiada, é um dos mais cotados para aparecer na delação. A relação entre Vorcaro e Costa garantiu que o BRB cobrisse os rombos do Master.

Apesar da delação poder apresentar nomes de envolvidos no caso, a simples menção não garante que ela tenha participado do esquema criminoso. Vorcaro terá de provar o crime cometido junto ao citado e como foi a participação do delatado na ilegalidade.

No último dia 20, a PF rejeitou a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicando que as informações oferecidas por Vorcaro foram consideradas aquém do que deveria ser contado às autoridades responsáveis pelas investigações.

Os responsáveis pelo caso consideraram que houve omissão de detalhes por parte do ex-banqueiro, protegendo pessoas que acabaram contribuindo com a manutenção do funcionamento do esquema de fraudes do Master. Porém, mesmo com essa rejeição, a delação de Vorcaro não está totalmente perdida.

Veja os possíveis nomes que Daniel Vorcaro pode citar na delação

Reportagem do O Brasilianista mostrou que 23 nomes poderiam estar envolvidos no caso Master e mencionados na delação premiada.

Até o momento, nenhum desses nomes foi confirmado. Ainda assim, a Operação Compliance Zero realizou mandado de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) após as investigações descobrirem mensagens que indicam um suposto financiamento de Nogueira por Vorcaro em troca de apoio em Brasília.

Veja os possíveis nomes na delação de Daniel Vorcaro:

Setor financeiro / Caso Master

  • Daniel Vorcaro — banqueiro, dono do Banco Master
  • Paulo Henrique Costa — ex-presidente do BRB (Banco de Brasília)
  • Augusto Lima — ex-CEO do Banco Master
  • André Esteves — banqueiro, ligado ao BTG Pactual

Distrito Federal

  • Ibaneis Rocha — ex-governador do DF
  • Celina Leão — governadora em exercício / vice-governadora da chapa de Ibaneis

Política nacional

  • Michel Temer — ex-presidente da República
  • Davi Alcolumbre — senador, presidente do Senado
  • Cláudio Castro — governador do RJ
  • Deivis Marcon Antunes — ex-presidente do Rioprevidência
  • Antônio Rueda — presidente do União Brasil
  • ACM Neto — secretário-geral do União Brasil
  • Rui Costa — ministro da Casa Civil, ex-governador da Bahia
  • Jaques Wagner — senador
  • Flávia Peres (ex-Flávia Arruda) — ex-deputada / figura política ligada ao grupo
  • Ciro Nogueira — senador e presidente do PP
  • Paulinho da Força — deputado federal
  • Hugo Motta — presidente da Câmara
  • Bianca Medeiros — ligada a Hugo Motta (cunhada)
  • Ratinho Júnior — governador do PR

Judiciário (STF)

  • Dias Toffoli — ministro do STF
  • Alexandre de Moraes — ministro do STF
  • Viviane Barci de Moraes — advogada, esposa de Moraes

Saiba mais das notícias de Brasília nas nossas redes sociais