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Geopolítica

Brasil pode mudar de posição na geopolítica após a eleição de 2026?

A tendência é de permanência como país emergente, mas com possibilidade de novos posicionamentos estratégicos

Brasil pode mudar de posição na geopolítica após a eleição de 2026?

Em um cenário global marcado por disputas entre grandes potências como os Estados Unidos e a China, o Brasil busca reforçar alianças multilaterais, a exemplo do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, em busca de ampliar sua presença internacional e atrair novos olhares. Com a volta do país às urnas em 2026 para eleger um novo representante ao Palácio do Planalto, a mudança pode impactar não apenas internamente, mas também na forma como o país se posiciona na geopolítica.

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O país segue em movimento de retomada do protagonismo internacional, de forma que tem alcançado novos interesses diversificados no exterior, observam especialistas. Sobre a possibilidade de mudanças com as eleições, a doutora em Direito Internacional e professora da Processus, Francielle Vieira Oliveira, afirma que a tendência esperada é de permanência da atual posição do Brasil como um país emergente em desenvolvimento social, político e econômico.

Posicionamento estratégico

No entanto, alterações podem surgir principalmente do posicionamento estratégico, movimento que dependerá de quem ocupará a presidência da República em 2027. “O Brasil tende a manter sua posição estrutural no sistema internacional, permanecendo tradicionalmente classificado como uma potência média, isto é, um Estado com capacidades relevantes, porém insuficientes para exercer hegemonia. No entanto, a eleição pode alterar significativamente o seu posicionamento estratégico. Em outras palavras, não se altera a posição do país no sistema, mas sim a forma como ele atua dentro dele”, explica Oliveira.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, Ricardo Caichiolo, os resultados eleitorais de novembro podem trazer mudanças para a posição internacional, mas a tendência é de continuidade com ajustes marginais. Segundo o especialista, o esperado é que o foco o alinhamento político-estratégico com o Ocidente, bem como pode haver menor ênfase na busca pelo multilateralismo.

A especialista Francielle Vieira Oliveira complementa a análise ao afirmar que há uma polarização de ideias, em que uma vertente defende o fortalecimento das relações com o exterior de forma mais ampla, enquanto outra prioriza uma atuação mais ideológica. “Um governo pode apostar mais no multilateralismo, na construção de coalizões amplas e numa atuação mais ativa; outro pode ser mais seletivo, mais ideológico ou até mais alinhado a determinados atores”, justifica.

Política externa

Em relação às expectativas da política externa brasileira, há sinais de continuidade relativamente estável, baseada principalmente na Constituição Federal, assim como nos compromissos assumidos no âmbito do Direito Internacional apontam os especialistas. Mas também pode haver variações com base na orientação política do Chefe do Executivo.

“Cada governo tende a imprimir sua própria orientação, redefinindo prioridades, estilos de atuação e, em certa medida, a própria forma de inserção internacional do país. Assim, a política externa brasileira deve ser compreendida simultaneamente como política de Estado, em razão de seus elementos permanentes, e como política de governo, em razão das escolhas estratégicas e políticas de cada administração”, comenta Francielle Vieira Oliveira.

Ricardo Caichiolo explica que no período recente, a política externa do Brasil mostrou inflexão mais ideológica, que segundo ele, ainda assim, há limites impostos por interesses econômicos e pela tradição diplomática. O especialista considera que possa haver alterações, com reforço de laços com aliados ideologicamente próximos: “Seguem centrais Estados Unidos, China e União Europeia, além de parceiros regionais. Pode haver reforço de laços com aliados ideologicamente próximos e cautela com a dependência chinesa”.

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