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Economia

“TikTok virou vitrine econômica para pequenos negócios”, avalia especialista sobre impacto bilionário da plataforma no Brasil

Estudo estima influência de até R$ 37,3 bilhões na economia brasileira

“TikTok virou vitrine econômica para pequenos negócios”, avalia especialista sobre impacto bilionário da plataforma no Brasil

O crescimento do TikTok no Brasil passou a alterar a dinâmica de pequenos negócios, ampliar canais de venda e criar novas formas de geração de renda digital.

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Um estudo divulgado pela plataforma em parceria com a LCA Consultoria Econômica estima que os investimentos realizados por pequenas e médias empresas dentro do aplicativo já movimentam até R$ 37,3 bilhões na atividade econômica brasileira.

Os dados apresentados pela pesquisa apontam ainda impacto indireto sobre arrecadação tributária, geração de empregos e ampliação da formalização de empreendedores digitais. Segundo o levantamento, o TikTok possui atualmente 134 milhões de usuários ativos mensais no Brasil.

A pesquisa calcula que o investimento em anúncios pagos na plataforma gera entre R$ 2,5 bilhões e R$ 4,9 bilhões em arrecadação tributária associada ao consumo e à renda movimentados pelo ecossistema digital do aplicativo.

O relatório também estima entre 223 mil e 447 mil empregos sustentados ao longo da cadeia econômica ligada às atividades comerciais impulsionadas pelo TikTok Ads.

Apesar dos números apresentados pela plataforma, especialistas avaliam que parte das estimativas exige cautela metodológica, principalmente no cálculo relacionado à geração de empregos.

Para Lilian Carvalho, doutora em Marketing e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o impacto econômico do TikTok existe, mas alguns indicadores precisam ser interpretados com mais cuidado.

“Apesar de a consultoria ser muito idônea, a que fez o estudo com o TikTok, me parece que a gente tem que ter um pouco de cuidado de como esses números e estimativas foram gerados”, pondera.

Segundo a especialista, um dos pontos que mais levantam dúvidas envolve justamente o tamanho da projeção relacionada ao mercado de trabalho.

Estimativa de empregos gera debate entre especialistas

A pesquisa divulgada pelo TikTok afirma que a atividade econômica ligada à plataforma sustenta até 447 mil empregos no Brasil. Na avaliação de Lilian Carvalho, porém, o conceito utilizado para contabilizar essas vagas pode incluir diferentes formas de renda complementar e ocupações indiretas.

“Então, me parece que o tamanho de empregos gerados pelo TikTok está superestimado, mas precisa ver o que ele considera emprego se, por exemplo, uma pessoa fazendo venda direta como renda suplementar se também é considerado emprego no estudo dele”, contextualiza.

Mesmo com ressalvas sobre a projeção de empregos, Lilian avalia que os números ligados ao impacto econômico geral da plataforma aparecem mais próximos da realidade observada atualmente no mercado digital brasileiro.

“De qualquer forma, em relação ao impacto no PIB, me parece que não é uma superestimação”, considera.

Segundo ela, a participação estimada do TikTok na atividade econômica nacional permanece proporcional ao crescimento recente do comércio digital e da publicidade online.

“Em número de emprego me parece um pouco fora, mas 0,3% do PIB nacional não me parece algo tão longe”, acrescenta.

Vídeos curtos ampliaram vendas e alcance comercial

O relatório divulgado pelo TikTok aponta que a principal força econômica da plataforma está na capacidade de ampliar alcance orgânico para pequenos empreendedores.

Segundo os dados apresentados, 68% dos empreendedores entrevistados afirmam construir presença digital sem investimento em anúncios pagos.

Além disso, 52% dizem que o aplicativo ajuda a alcançar novos mercados consumidores. O levantamento também mostra que 51% dos empreendedores relatam crescimento da base de seguidores por meio exclusivamente de conteúdo orgânico.

Na avaliação de Lilian Carvalho, o diferencial competitivo do TikTok está ligado principalmente à estrutura de distribuição de vídeos curtos e ao funcionamento do algoritmo baseado em interesse.

“O TikTok é uma plataforma importante, foi uma mudança na questão de vídeos verticais rápidos, o feed dele muito melhor adaptado às necessidades do consumidor não só brasileiros”, detalha.

Segundo ela, a plataforma conseguiu acelerar processos comerciais que já existiam em outras redes sociais, mas com dinâmica mais eficiente de distribuição de conteúdo.

“São atividades que já se faziam na internet e que agora migram ou são adicionadas ao TikTok”, contextualiza. O estudo também aponta crescimento relevante das compras realizadas diretamente dentro do aplicativo.

Segundo dados internos da plataforma, 57,8% dos usuários afirmam concluir compras pelo TikTok Shop após descobrirem produtos nos vídeos exibidos no aplicativo.

Além das vendas digitais, o relatório indica aumento de compras presenciais e contatos diretos entre consumidores e pequenos comerciantes após divulgação de conteúdos na plataforma.

Inclusão digital fortalece empreendedorismo

Outro ponto destacado pelo levantamento envolve a inclusão produtiva de pequenos empreendedores e trabalhadores informais. Segundo os dados apresentados pela pesquisa, 87% das classes D e E acessam a internet exclusivamente pelo celular no Brasil.

A estrutura mobile-first do TikTok aparece como um dos fatores que reduziram barreiras tecnológicas para pequenos comerciantes iniciarem presença digital.

O relatório também relaciona o crescimento das plataformas digitais ao avanço da formalização de microempreendedores no país.

Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), incluídos no estudo, apontam que 20,3% da população adulta brasileira possui negócios em estágio inicial.

A pesquisa mostra ainda que 12,3 milhões desses empreendimentos estão em fase nascente, com até três meses de operação. Entre 2023 e 2024, o empreendedorismo feminino cresceu 26%, enquanto o empreendedorismo de baixa renda avançou 48%, segundo o relatório.

Para Lilian Carvalho, o TikTok não representa uma ruptura econômica comparável à chegada inicial de gigantes digitais como Google, WhatsApp ou Meta, mas consolidou um novo espaço de vendas e publicidade digital.

“Então, ele não é uma mudança muito grande, uma transformação, mas é uma ferramenta de inclusão e geração de renda importante”, avalia.

A especialista destaca ainda que a plataforma passou a funcionar como mais um canal comercial relevante tanto para pequenos quanto para grandes negócios.

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