O governo do Irã afirmou nesta semana ter chegado a um entendimento com os Estados Unidos sobre pontos centrais das negociações para encerrar o conflito entre os dois países. Apesar disso, autoridades iranianas negaram que a assinatura de um acordo definitivo esteja próxima.
Representantes iranianos confirmaram avanços diplomáticos nas conversas mediadas pelo Paquistão, mas ainda existem divergências importantes sobre segurança regional e sanções econômicas.
O possível avanço nas negociações acontece após semanas de tensão militar, ataques a instalações estratégicas e pressão internacional por um cessar-fogo definitivo.
Guerra provocou pressão sobre petróleo e inflação global
Em entrevista ao O Brasilianista, André Franco, CEO da Boost Research, ressaltou que os sinais de enfraquecimento do conflito entre Irã e Estados Unidos tendem a aliviar uma das principais fontes recentes de pressão sobre a economia global: o preço da energia.
Na avaliação do especialista, o cenário aponta para uma desaceleração gradual das tensões militares. “A guerra deve caminhar para o fim, porque não vejo mais os Estados com força para mantê-la da maneira que vinham prometendo”, afirma.
Para Franco, uma redução no nível do conflito teria impacto direto sobre o mercado internacional de petróleo. “Isso reduz a pressão sobre o petróleo, então os preços tendem a cair”, explica.
Trump tenta transformar acordo em vitória política
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tenta apresentar o possível acordo como uma vitória política e diplomática de sua gestão. O republicano busca reconstruir sua imagem internacional após semanas de críticas sobre o custo político e econômico do conflito.
No entanto, levantamentos da Reuters/Ipsos indicam que o desgaste político de Donald Trump se intensificou à medida que o conflito avançou no Oriente Médio. O presidente iniciou o novo mandato em janeiro de 2025, com cerca de 47% de aprovação.
Desde o início da ofensiva contra o Irã, porém, os índices passaram a registrar queda contínua: 42% em março, 40% em abril, 36% no começo de maio e agora 35%, um dos níveis mais baixos do atual governo.
Ao mesmo tempo, a desaprovação ultrapassou os 60% nas últimas semanas, impulsionada principalmente pela alta dos combustíveis e pelo aumento do custo de vida associados às tensões no Oriente Médio e à crise no Estreito de Ormuz.
Irã resiste a parte das exigências americanas
Apesar do avanço das negociações e dos sinais de aproximação diplomática, o governo iraniano continua resistindo a parte das exigências apresentadas pelos Estados Unidos antes de aceitar um acordo mais amplo para encerrar o conflito.
Como publicamos aqui no O Brasilianista, recentemente, o Irã exigiu uma série de garantias para avançar em negociações com os Estados Unidos. Entre elas:
- Fim completo das hostilidades na região;
- Suspensão do bloqueio naval imposto pelos EUA;
- Retomada das exportações iranianas de petróleo;
- Compensação por danos causados pela guerra;
- Inclusão do conflito no Líbano dentro do acordo regional.
Mercado acompanha próximos passos das negociações
O mercado financeiro internacional acompanha com atenção os próximos passos das negociações entre Irã e Estados Unidos. Nas últimas semanas, qualquer notícia relacionada ao conflito passou a impactar diretamente bolsas globais, petróleo e ativos considerados mais seguros, como ouro e dólar.
Um acordo definitivo poderia reduzir parte da variação recente, mas o cenário segue instável enquanto não houver assinatura formal e garantias de implementação.

