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Justiça

Veja as mensagens trocadas entre traficante do CV e assessor de TH Joias sobre aliado de Flávio Bolsonaro

Diálogos obtidos pela investigação tratam de pedidos políticos, encontros reservados e possíveis favorecimentos

Veja as mensagens trocadas entre traficante do CV e assessor de TH Joias sobre aliado de Flávio Bolsonaro

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelaram conversas entre o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, e aliados políticos ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro.

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Os diálogos citam encontros, pedidos de nomeação e supostas trocas de favores envolvendo o ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio ao cargo em 2023.

Como informou o BNews, as conversas ocorreram entre maio e agosto de 2025 e foram obtidas pela Polícia Federal durante investigações sobre a atuação do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

O material mostra que Índio do Lixão manteve contato frequente com Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu, assessor do ex-deputado estadual Thomas Magalhães, o TH Joias.

O traficante mencionou pelo menos cinco vezes encontros ou tratativas envolvendo Gutemberg Fonseca. Em uma das mensagens, Índio do Lixão afirmou que o então secretário teria recebido “mérito” após uma ação supostamente resolvida por ele.

Em outro trecho, o criminoso pede ajuda para destravar uma nomeação ligada a Marcos José Menezes, ex-servidor do Procon estadual.

A Polícia Federal investiga a existência de uma “articulação política” voltada a favorecer interesses do traficante. Índio do Lixão é apontado pela PF como um dos chefes do Comando Vermelho e investigado por tráfico internacional de armas.

PF amplia apurações sobre conexões políticas no Rio

Gutemberg Fonseca negou à publicação qualquer relação com o traficante. O ex-secretário afirmou que nunca teve contato com Índio do Lixão e disse que, se houvesse irregularidades, a Polícia Federal teria promovido seu indiciamento formal.

“Mérito que ganha quando eu resolvo algo”, escreveu o traficante ao encaminhar um vídeo de uma reunião envolvendo a Secretaria de Defesa do Consumidor, o Procon e a Enel.

Na sequência, Dudu respondeu: “Mandei pro Menezes. Falei que era legal ter levado você”. Segundo a investigação, Gutemberg foi indicado por Flávio Bolsonaro ao cargo em 2023 e permaneceu na função até abril deste ano.

Em outro trecho citado pela investigação, Índio do Lixão demonstrou proximidade com o grupo ao questionar a ausência de Dudu em um encontro que teria contado com a presença do então secretário. “Cadê você? Assim eu vou ficar fraco”, escreveu o traficante.

Logo depois, completou: “Tá geral aqui, Guto e todos. Cadê vocês?”. “Pergunta da nomeação. Se ele não for, eu vou em outro caminho já certo”, escreveu Índio do Lixão a Dudu. O assessor respondeu: “Eu aviso ele”. Em seguida, pediu os dados do traficante e afirmou: “Vamos pegar logo essa nomeação”.

Reportagem do O Brasilianista mostrou que a Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto por suposta obstrução de investigações relacionadas ao Comando Vermelho.

A denúncia aponta que TH Joias atuaria como operador financeiro de lideranças da facção criminosa, utilizando a venda de joias para lavagem de dinheiro do tráfico.

A investigação também sustenta que o ex-deputado utilizava influência política para obter informações privilegiadas sobre operações policiais.

A Operação Unha e Carne identificou indícios de vazamento de informações policiais para integrantes do Comando Vermelho. A PF afirma que Rodrigo Bacellar teria alertado TH Joias sobre uma operação policial realizada em setembro do ano passado.

A investigação encontrou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados por Bacellar. Entre os bens analisados pela PF estão imóveis de alto valor em Copacabana e uma mansão na região serrana do Rio de Janeiro.

Diálogos monitorados pela PF indicam que policiais civis, militares e até um delegado federal mantinham contato frequente com operadores ligados ao esquema investigado. As conversas mencionariam diretamente integrantes do Comando Vermelho, incluindo Índio do Lixão.

Caso “Dark Horse” agravou desgaste político

As novas revelações surgem em meio à crise política enfrentada por Flávio Bolsonaro após o avanço das investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, projeto financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro.

O Brasilianista mostrou que a primeira pesquisa Datafolha realizada após a divulgação do caso apontou crescimento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O levantamento indicou diferença de nove pontos percentuais entre os dois em cenário de primeiro turno.

Segundo o portal, Lula aparece com 40% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente também ampliaria vantagem, alcançando 47% contra 43% do senador.

A publicação informou que 64% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do episódio envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Entre esse grupo, a maioria considerou negativa a atuação de Flávio no caso.

O senador enfrenta pressão interna dentro do bolsonarismo diante da possibilidade de desgaste prolongado da pré-campanha presidencial.

Nomes como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado passaram a ser observados por aliados da direita como possíveis alternativas eleitorais.

O filme “Dark Horse” recebeu cerca de R$ 134 milhões em recursos ligados a Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas à produção cinematográfica e possíveis conexões políticas relacionadas ao projeto.

Investigações avançam sobre entorno político

As mensagens também incluem diálogos envolvendo o advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor durante a gestão de Gutemberg Fonseca.

Carracena foi preso em setembro de 2025 e é investigado por supostamente atender interesses de lideranças do Comando Vermelho. Mesmo após deixar o cargo público, ele teria continuado recebendo dinheiro de Índio do Lixão.

Segundo o material obtido pela PF, o traficante afirmou ter se encontrado com Gutemberg Fonseca em uma reunião e disse que poderia ajudá-lo politicamente.

Em outra conversa, Carracena afirmou ao criminoso que determinada articulação política envolvendo o ex-secretário estaria “muito” relacionada à atuação dele.

A Polícia Federal avalia que Gutemberg Fonseca aparentemente não teria atendido integralmente às expectativas do traficante, apesar das tentativas de aproximação relatadas nas mensagens interceptadas.

Gutemberg voltou a negar qualquer relação com integrantes do Comando Vermelho e afirmou que jamais atuou para favorecer criminosos.

O ex-secretário também declarou que continuou mantendo relação política com Marcos José Menezes, citado nas conversas, por ele atuar em campanhas eleitorais ligadas ao seu grupo político.

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