O advogado Michel Miguel Elias Temer Lulia foi o 37º Presidente da República Federativa do Brasil entre agosto de 2016 e dezembro de 2018.
Com forte influência política, a trajetória de Temer conta com ampla carreira no setor público, além de atuar como professor e conselheiro de outros políticos em Brasília.
Em um de seus atos mais recentes, o ex-presidente interino foi o principal fiador da campanha do Ibaneis Rocha (MDB) para o Distrito Federal, que saiu do cargo neste ano para concorrer a uma vaga no Senado. Ibaneis é investigado pelo impacto da crise envolvendo o BRB e o Banco Master.
Formação de Michel Temer e início da carreira pública
Nascido em Tietê (SP), em 1940, Temer é filho de imigrantes libaneses que, se tornaram produtores de arroz e café ao chegarem no Brasil.
Ele é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e possui título de Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Na área, ele é uma referência em Direito Constitucional, autor de diversos livros.
A Biblioteca da Presidência afirma que Temer iniciou sua carreira política como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário de Educação no Governo do Estado de São Paulo entre 1964 e 1966. Em 1970, tornou-se procurador do estado e alguns anos depois, em 1983, foi nomeado procurador-geral do Estado de São Paulo.
No ano seguinte, assumiu a Secretária de Segurança Pública de São Paulo, momento em que criou a primeira Delegacia da Mulher no Brasil. Durante sua gestão da SSP-SP, ajudou a instituir a Delegacia de Proteção aos Direitos Autorais, de combate à pirataria, e a Delegacia de Apuração de Crimes Raciais.
Em 1986, foi eleito como deputado da Assembleia Nacional Constituinte pelo pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Depois disso, foi reeleito deputado federal e exerceu seis mandatos, todos pelo PMDB.
Presidência da Câmara dos Deputados e vice-presidência
Temer ainda foi presidente da Câmara dos Deputados durante três gestões (1997-1999, 1999-2001 e 2009-2010). Nessa posição, ele assumiu interinamente a Presidência da República duas vezes: de 27 a 31 de janeiro de 1998 e em 15 de junho de 1999. Ao longo dos mandatos, foi apontado como parlamentar mais influente do Congresso.
De 2001 ao final de 2010, presidiu o Diretório Nacional do PMDB. Ele saiu do posto em 2011 ao assumir a Vice-Presidência da República ao lado da ex-presidente Dilma Roussef (PT). Ele foi reeleito, junto de Dilma, em 2014.
Seu tempo como vice-presidente foi marcado por defender o interesse do País em foros, encontros e negociações internacionais. Assumiu o posto definitivo de Presidente da República em 31 de agosto de 2016, após o Senado Federal aprovar o processo de impeachment e afastar a presidente Dilma Rousseff do cargo.
Destaques como presidente do Brasil
O Arquivo Nacional de Presidentes destaca que Temer promoveu uma ampla reforma dos ministérios, diminuindo seu número de 32 para 23, reorganizando as pastas que foram compostas exclusivamente por homens.
A nova coalizão governamental incluiu partidos como PMDB, PSDB, DEM, PSD, PP, PRB, PTB, PPS (atual Cidadania), PV e PR.
A gestão de Temer foi responsável pela criação do Teto de Gastos, medida que tinha como objetivo limitar o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior.
Ele ainda implementou a reforma do Ensino Médio, alterando a estrutura curricular das escolas brasileiras, ampliando a carga horária e instituindo itinerários formativos.
Outro destaque de sua gestão foi a reforma trabalhista, aprovada em 2017, que fez diversas alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como prevalência dos acordos com funcionários acima da legislação, regulamentação do trabalho intermitente e novas regras para acordos individuais.
Por fim, Temer indicou Alexandre de Moraes, então ministro da Justiça, para o Supremo Tribunal Federal, após a morte de Teori Zavascki.

