O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta segunda-feira (25) que o vazamento dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro alterou o ambiente político dentro da direita e enfraqueceu o senador diante do eleitorado conservador.
“O Flávio não vence o Lula no segundo turno. Hoje, depois do escândalo, o Flávio não vence, sob nenhuma hipótese, o Lula no segundo turno”, declarou.
O pré-candidato também afirmou que o senador perdeu capacidade de mobilização após o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”. “O Flávio virou um tigre de papel”, disse Renan Santos.
Ainda durante a conversa, Renan afirmou que parte do eleitorado bolsonarista mais jovem deixou de defender publicamente a família Bolsonaro após o escândalo.
“O eleitor jovem bolsonarista nunca teve muito vínculo com o Bolsonaro. Agora, então, não tem motivo para falar ‘ah, eu sou um jovem bolsonarista’. Não dá, cara. Não tem o que defender”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, a crise também abriu espaço para que outros nomes da direita tentem ocupar esse eleitorado.
Crise de Flávio entrou no centro da disputa
Durante a entrevista, Renan Santos afirmou que acredita ter espaço para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais após o desgaste político de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em entrevista ao programa BNews Ao Vivo, da Baiana FM, Renan associou o avanço da própria candidatura à crise envolvendo o senador após os áudios relacionados ao caso “Dark Horse”.
“Eu vou para o segundo turno e eu vou explicar como vai ser esse crescimento”, declarou durante a entrevista.
Segundo Renan Santos, a candidatura dele passou a crescer principalmente entre eleitores mais jovens e fora do núcleo tradicional do bolsonarismo. “Eu já lidero entre os 16 a 24 anos de idade”, afirmou.
Ao comentar o cenário político, Renan disse que existe desgaste tanto do PT quanto do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Os caras não aguentam mais Lula e Bolsonaro”, afirmou durante a entrevista
Estratégia mira jovens e Nordeste
Ao comentar o crescimento da própria candidatura, Renan Santos afirmou que pretende consolidar presença entre eleitores de até 35 anos antes de ampliar a campanha para outras faixas etárias.
“Há três meses, eu tinha 2,5%, hoje eu tenho 12%, porque aumentou muito o meu conhecimento”, declarou durante a entrevista.
Segundo ele, o avanço eleitoral acontece de forma gradual e baseada na influência entre famílias e grupos próximos. “São os mais novos que vão falar com seus irmãos e amigos mais velhos, que vão falar com seus pais”, afirmou.
Renan também declarou que pretende crescer politicamente no Nordeste, região historicamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O lulismo do Nordeste é uma força que cansou”, disse.
Ao relatar viagens recentes pelo interior nordestino, o pré-candidato afirmou ter encontrado eleitores insatisfeitos com a situação econômica e com a violência nas cidades.
“Esse público até seus 30 anos está muito pistola com o PT”, declarou.
Renan também associou o desgaste político ao avanço do crime organizado em municípios do interior. “A chegada do crime organizado nas cidades do interior e do Nordeste” foi citada por ele como um dos fatores que influenciam mudanças no eleitorado jovem da região.
Pré-candidato falou sobre debates e campanha
Na reta final da entrevista, Renan Santos foi questionado sobre a possibilidade de utilizar as Forças Armadas no combate ao crime organizado e no apoio às operações de segurança pública em áreas dominadas por facções.
Em resposta, o pré-candidato afirmou que militares poderiam atuar como força auxiliar em operações urbanas, enquanto as polícias fariam as ações de retomada territorial.
“As Forças Armadas podem servir num processo de reocupação de cidades e favelas, como uma força auxiliar que vai fazer a guarda da cidade, fazer uma ronda ostensiva, enquanto as Polícias Militares e as Forças Especiais das Polícias Militares fazem as operações de retomada”, declarou.
Ao responder sobre o uso de Exército, Marinha e Aeronáutica, Renan afirmou que a atuação teria foco principalmente em fronteiras e logística de apoio. “Você também utilizar a Marinha com guardas fluviais ali na Amazônia para evitar a entrada da droga ali”, disse.
Brenno também perguntou como Renan pretende enfrentar o Centrão caso chegue à Presidência, especialmente diante da dificuldade de formar maioria no Congresso com um partido novo.
O pré-candidato reconheceu que precisaria negociar alianças políticas e descartou a possibilidade de governar sem articulação parlamentar.
“Eu vou ter que fazer um governo de composição, ponto. Não adianta mentir aqui”, respondeu.
Durante a conversa, Brenno citou a possibilidade de resistência do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal a propostas de reforma institucional defendidas por Renan.
O pré-candidato afirmou que pretende evitar confrontos diretos com outros poderes e construir maioria gradualmente. “Eu não vou comprar brigas inúteis com os outros poderes”, declarou.
Ao ser questionado sobre como reduzir a influência do Centrão na distribuição de verbas públicas, Renan afirmou que pretende atrelar repasses federais ao desempenho de prefeitos e municípios.
“A ideia é: se um prefeito tem bom desempenho, mais dinheiro vai para aquele prefeito”, explicou.
Ainda na resposta, Renan criticou o atual modelo do fundo eleitoral e classificou o volume de recursos destinados aos partidos como exagerado.
“O que temos aí é um assalto, né? Um fundão de 5 bi. O que é isso, cara?”, afirmou.

