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Economia

Como ficam os juros dos EUA com um acordo de paz mais próximo com o Irã?

O fim da guerra pode abrir espaço para uma redução das taxas, o que beneficia o Brasil

Como ficam os juros dos EUA com um acordo de paz mais próximo com o Irã?

Um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos está mais uma vez tomando forma, em caráter mais produtivo nos pontos de negociação. No entanto, a assinatura ainda pode não estar tão próxima.

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Representantes iranianos confirmaram avanços diplomáticos nas conversas mediadas pelo Paquistão, mas ainda existem divergências importantes sobre segurança regional e sanções econômicas. Quem deve lidar com esse cenário e tem toda a atenção do mercado financeiro é o novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh.

A próxima reunião de política monetária da instituição pode movimentar de forma relevante as economias ao redor do mundo. Apesar de um cenário instável e pressão do presidente Donald Trump, a percepção é de que ele deve ser mais cauteloso antes de cortar juros.

O possível avanço nas negociações acontece após semanas de tensão militar, ataques a instalações estratégicas e pressão internacional por um cessar-fogo definitivo.

O que prevê um possível acordo de paz?

Autoridades americanas e iranianas confirmaram que avançaram nas conversas desde o último sábado (23). O The Guardian indica que o líder supremo do Irã e o conselho de segurança nacional ainda precisam aprovar o acordo de paz proposto entre Teerã e Washington.

Entre os pontos de negociação, está o alívio das sanções americanas ao Irã e o desbloqueio de até US$ 20 bilhões em ativos congelados em troca da reabertura do Estreito de Ormuz e da concordância em negociar seu programa nuclear nos próximos 60 dias, a partir de 5 de junho, no Paquistão.

O Irã ainda deseja a alteração de uma ou duas cláusulas do acordo de paz proposto. O documento ainda exige que o Irã e os EUA, e seus aliados, cessem as hostilidades, e que Israel encerre sua ofensiva no Líbano.

Fim da guerra abre espaço para queda de juros?

Segundo Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP, a possibilidade de um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos poderia levar à redução do preço do petróleo. Essa conjuntura permitiria que o Federal Reserve sinalizasse, ou mesmo implementasse, uma diminuição da taxa de juros até o final do ano.

A expectativa é que, na próxima reunião, o Fed possa indicar essa redução, condicionada ao fim do conflito.

“Com menos risco geopolítico no Oriente Médio, o petróleo tende a cair ou estabilizar, reduzindo a pressão sobre a inflação global. Isso dá mais espaço para o Fed discutir cortes de juros. Hoje, a guerra é um dos fatores que mantém o banco central americano mais cauteloso”, complementa Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Se a guerra esfriar, o Fed tende a adotar um discurso mais leve, abrindo espaço para cortes mais cedo, mas ainda não para o curtíssimo prazo. Se o conflito continuar, o petróleo pode seguir pressionado, mantendo a inflação elevada e forçando o Fed a manter juros altos por mais tempo.

Rockenmeyer explica ainda que, no contexto brasileiro, o término do conflito abre caminho para uma possível redução da taxa de juros até o final do ano, alinhada às expectativas do mercado. Por outro lado, a continuidade do conflito poderia levar o Banco Central do Brasil a manter a taxa de juros, em resposta aos riscos no abastecimento de petróleo.

O Brasil tende a se beneficiar com o fim da guerra, pois o dólar pode perder força globalmente, o fluxo estrangeiro tende a voltar para países emergentes e os juros futuros brasileiros ganham alívio. Isso normalmente ajuda Bolsa, small caps, crédito e empresas mais dependentes de atividade econômica. Além disso, um Fed mais próximo de cortar juros melhora muito o ambiente para ativos de risco no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

“Se a guerra continuar, acontece o contrário. Petróleo caro aumenta pressão sobre a inflação brasileira, dificulta cortes da Selic e fortalece o dólar. Isso piora o ambiente para Bolsa e crédito, porque o mercado passa a trabalhar com juros altos por mais tempo aqui e nos EUA. Mesmo que Petrobras possa se beneficiar de petróleo elevado no curto prazo, o impacto macroeconômico geral tende a ser negativo para o Brasil, porque inflação e juros altos acabam pesando mais sobre a economia”, reitera Lima.

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