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Justiça

Caso Master: as contradições de Vorcaro e Costa começam a aparecer

PF encontrou grupo onde Vorcaro orientava subordinados durante as fraudes

Caso Master: as contradições de Vorcaro e Costa começam a aparecer

Durante investigação no telefone celular de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal (PF) afirmou ter encontrado um grupo de WhatsApp usado pelo mesmo para orientar os dois subordinados do Banco Master durante as fraudes em documentos destinados a venda de carteiras ao BRB (Banco Regional de Brasília).

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Reportagem do Estadão teve acesso às conversas do grupo em questão e afirmou que em um dos diálogos o ex-banqueiro diz aos funcionários que o valor presente em uma das carteiras de crédito falsas que foram vendidas ao BRB estava diferente do que era previsto. “Não fecha a conta”, disse Vorcaro.

Grupo de WhatsApp

O grupo era composto por Daniel Vorcaro e mais dois subordinados: Ângelo Silva, diretor financeiro na época, e Alberto Félix, o então superintendente de tesouraria do Master, e o seu nome era “INFO-BRB”. No dia 23 de junho de 2025, três meses depois do BRB ter realizado uma proposta de compra de uma parte do Banco Master, Vorcaro cobrou de seus subordinados o envio de um extrato da conta referente as carteiras de crédito consignado que foram fabricadas por outra empresa, chamada Tirreno, pela qual os investigadores responsáveis pelo caso suspeitam de ser apenas fachada. A documentação precisava ser repassada ao BRB.

Às 18h56, o ex-banqueiro escreveu: “Cadê o extrato”. Após isso, Alberto Félix respondeu a mensagem encaminhando um documento com o nome “Tirreno_junho.pdf”, já enviado anteriormente por Ângelo Silva. Após a leitura do documento, Vorcaro demonstrou irritação e reclamou dos dados. Na época, o Banco Central já havia apontado problemas no extrato da respectiva conta, justamente por não incluir os rendimentos de aplicação financeira.

“Pessoal. Saldo não pode ser 6.400!!! Era 7.200. Valor da recompra”, escreveu Vorcaro. Os valores em questão equivalem a casa dos bilhões de reais. Após isso, Félix respondeu o ex-banqueiro dizendo que tal documentação ainda não contabilizava alguns débitos. Mesmo assim Vorcaro rebateu seu subordinado: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”, disse.

De acordo com a PF, durante outra conversa, no dia 13 de maio de 2025, Vorcaro enviou uma lista de inconsistências detectadas pelo BRB nas carteiras de crédito pelo Master e solicitou para seus subordinados a produção de documentos com o objetivo de tentar dar uma aparência de legalidade para a negociação.

Paulo Costa e a delação premiada

A PF investiga fraudes em aportes de aproximadamente R$ 12,2 bilhões do BRB no Banco Master e pagamentos de propina direcionados a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público de Brasília, sob a suspeita de favorecer os interesses por parte de Daniel Vorcaro. Tanto a defesa do ex-banqueiro quanto o BRB não se pronunciaram sobre o caso.

Como noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a delação premiada de Vorcaro pode atingir diversos nomes. Um deles é o de Paulo Costa. A relação entre os dois garantiu que os rombos do Master fossem cobertos pelo BRB, pelo qual oferecia investimentos anunciando uma aplicação segura por conta do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Extrato fictício

A Polícia Federal afirma que o diálogo entre o ex-banqueiro e seus subordinados evidencia que o extrato bancário emitido por Vorcaro era fictício, levando em conta que o mesmo pedia uma correção referente ao valor final do documento que era o assunto da conversa.

“O primeiro aspecto a ser destacado aqui é a manipulação do valor final do extrato relativo ao pagamento da Tirreno pelo pagamento dos créditos originados e posteriormente cedidos ao BRB. Conforme verificado, restou constatado que o extrato da conta vinculada mantida no Banco Master -destinada ao pagamento das carteiras cedidas- deveria apresentar rendimento ou remuneração indexada ao CDB emitido pelo próprio Banco Master. Chama atenção, inclusive, que no extrato final, apresentado ao Bacen (Banco Central), tenha sido fabricado um terceiro valor, que não corresponde nem aos 6.400 nem aos 7.200″, informa o relatório da PF.

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