Uma denúncia realizada pela vereadora Luana Serrão, de Macapá, acusas o prefeito interino da capital do Amapá, Pedro DaLua, de utilizar sua autoridade e proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o governador Clécio Luís para tentar coagir politicamente a vereadora.
Todos são do mesmo partido, o União Brasil, mas a vereadora começou a adotar posições independentes em relação ao grupo liderado por DaLua. O caso se transformou em denúncia no final de 2025, seguida de uma investigação ainda em aberto do Ministério Público.
Áudios e mensagens de Whatsapp obtidos pelo Bastidor mostram que o prefeito teria conversado com Alcolumbre e Clécio para se proteger da denúncia, indicando que “o Judeu e o Gov vão proteger a gente” após a repercussão de mensagens ofensivas contra Serrão.
Na última quinta-feira (21), o procurador-geral de Justiça do Estado, Alexandre Flávio Medeiros Monteiro, encaminhou ofício a DaLua pedindo esclarecimentos sobre as acusações em dez dias.
Em uma das mensagens anexadas no documento, um interlocutor avisa o então presidente da Câmara dos Vereadores, que responde estar protegido.
“Fala presidente, o nego tá ficando feio!”, escreve o interlocutor. DaLua responde: “Hahaha tá nada, eu só oferecida (sic) pra essa vereadora sapatona o que ela gosta, uma rachadinha!” O interlocutor então afirma: “Meu Deus cara, o ministério público vai cair em cima da gente.” Na sequência, DaLua diz “Vai nada, o Judeu e o Gov vão proteger a gente, que se foda!”.
A acusação de Luana Serrão
A denúncia da vereadora indicou que um dos episódios mais graves da situação aconteceu durante uma reunião reservada na presidência da Câmara, em que somente ela e DaLua estavam presentes. Ela gravou a conversa por temer passar por algum tipo de pressão ou constrangimento e a gravação faz parte da investigação do MP.
Na ocasião, DaLua tentou utilizar sua autoridade como presidente da casa para pressionar a vereadora a aderir às pautas sustentadas pelo União Brasil e o grupo ligado a Alcolumbre e a Clécio Luís. Veja um trecho do que foi dito:
“O que pude fazer para alguém(…) não acelerar o meu processo de cassação de mandato, essas coisas. (…) Conhece como é judeu, né? Dizem que Davi é judeu de coração duro, e ele é. Eu posso fazer, mas também posso fazer por ti e pelo teu pai uma incursão. E eu te digo isso sem autorização do governador e do Davi”, disse o prefeito.
A proposta de DaLua é de que a vereadora realize uma espécie de acordo político para garantir proteção ao seu mandato, com possibilidade de reorganizar espaços e aliados ao seu redor — a favor ou contra. Ainda, afirmou que o partido reagiria caso as posições diferentes se mantessem.
Na época em que a gravação foi divulgada, uma nota de DaLua indicou que a gravação teria sido editada e utilizada de forma a tentar constrangê-lo e como forma de chantagem para atender interesses pessoais.

