A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (25) revelou que 18% dos eleitores brasileiros preferem uma terceira via para a disputa presidencial de 2026.
O levantamento também apontou manutenção da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de registrar desgaste do parlamentar após a repercussão do caso “Dark Horse”.
O Brasilianista mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) soma 43% no mesmo cenário.
Apesar da vantagem numérica do petista, o cenário permanece em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa também identificou que parte relevante do eleitorado continua procurando uma candidatura alternativa à polarização entre PT e PL.
O dado reacendeu discussões sobre o espaço político da chamada terceira via e os impactos da fragmentação entre candidaturas de centro e direita.
Fragmentação favorece polos já consolidados
Para Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em Ciência Política pela Unicamp e especialista em Gestão e Avaliação de Políticas Públicas pela Universidad de Deusto, o atual cenário eleitoral beneficia principalmente os grupos que já lideram a disputa.
Segundo o especialista, a pulverização de votos entre diferentes pré-candidatos alternativos impede o fortalecimento de uma candidatura capaz de romper a polarização no primeiro turno.
“No atual cenário da disputa eleitoral brasileira, talvez esta minha resposta possa surpreender, pois os maiores beneficiários da existência desse grupo que procura uma terceira via para votar não são, necessariamente, os candidatos da terceira via, mas sim os polos já estabelecidos”, avalia.
O professor explica que a distribuição fragmentada de votos entre diferentes nomes reduz a competitividade desse campo político. Hoje, possíveis candidaturas ligadas à terceira via incluem nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos.
“Se 1/5 do eleitorado distribui seus votos de forma fragmentada, ou seja, 3% para o candidato A, 5% para B, 2% para C e assim sucessivamente, nenhum dos representantes dessa terceira via consegue ganhar corpo suficiente para tornar-se competitivo na corrida eleitoral”, observa Ferreira.
A pesquisa BTG/Nexus mostrou justamente que os candidatos fora da polarização permanecem abaixo dos dois dígitos nas simulações de primeiro turno. Enquanto Lula aparece entre 40% e 41%, Flávio Bolsonaro oscila entre 35% e 38%, dependendo do cenário analisado.
Caso “Dark Horse” ampliou desgaste político
O levantamento foi um dos primeiros divulgados após a repercussão do caso “Dark Horse”, episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
O senador perdeu dois pontos em relação à pesquisa anterior, enquanto Lula avançou um ponto no mesmo período. A crise teve início após a divulgação de informações sobre o financiamento do projeto audiovisual ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Aliados de Flávio Bolsonaro passaram a monitorar os impactos eleitorais do episódio, embora integrantes do PL ainda considerem que o desgaste não inviabilizou totalmente a competitividade do senador para 2026.
Na tentativa de conter os danos políticos, Flávio prometeu devolver os recursos recebidos de Daniel Vorcaro para a produção do filme.
O episódio também aumentou debates internos dentro do campo conservador sobre possíveis alternativas eleitorais caso a rejeição ao senador continue crescendo nos próximos levantamentos.
Especialista questiona conceito de terceira via
Para Lenio Streck, pós-doutor em Direito e sócio fundador do Streck e Trindade, a discussão sobre terceira via precisa ser analisada além dos percentuais registrados nas pesquisas eleitorais.
O jurista considera que parte do eleitorado identificado como independente não atua necessariamente de forma distante dos polos políticos tradicionais.
“A chamada ‘terceira via’ tornou-se mais um argumento despistador. Até porque, no atual estágio do debate, parte expressiva desse eleitorado não representa propriamente uma terceira via, mas atua como linha auxiliar da direita”, pondera.
Streck também avalia que a principal variável da eleição pode não estar apenas no voto indeciso, mas no comportamento dos eleitores que acabam se abstendo no dia da votação.
“O foco da eleição não está nos pretensos indecisos. Está na abstenção, cuja média coincide, não por acaso, com cerca de 20%”, explica.
Segundo o especialista, muitos eleitores participam das pesquisas, mas acabam não comparecendo às urnas. Ele também questiona a associação automática entre eleitores da terceira via e votos nulos ou brancos.

