A guerra entre Rússia e Ucrânia e o confronto envolvendo Estados Unidos e Irã passaram a ser analisados em conjunto por especialistas internacionais. Mesmo com diferenças no campo de batalha, os dois conflitos têm revelado mudanças na forma como países enfrentam adversários militarmente superiores e utilizam tecnologia, drones e pressão econômica para prolongar disputas.
O The New York Times mostrou que tanto Moscou quanto Washington iniciaram operações militares apostando em vitórias rápidas, mas encontraram resistência maior do que o esperado. A análise destaca que as duas guerras acabaram expondo limites de potências militares tradicionais diante de estratégias assimétricas e do avanço tecnológico empregado pelos adversários.
A especialista Nicole Grajewski, professora da universidade Sciences Po, em Paris, afirmou que houve excesso de confiança nas duas operações. “Para a Rússia e para os Estados Unidos, há muitas expectativas não atendidas sobre suas operações militares”, disse. Ela atribuiu o cenário à “arrogância dos dois lados”.
O jornal norte-americano aponta que, mesmo sem capacidade militar equivalente, Ucrânia e Irã conseguiram manter pressão constante sobre inimigos mais fortes. No caso iraniano, a atuação ocorreu principalmente por meio de ataques indiretos, drones e ameaças a rotas estratégicas do petróleo no Golfo Pérsico.
Já a Ucrânia passou a investir em ações de impacto contra estruturas russas consideradas essenciais para a economia do país, como refinarias e terminais de exportação de petróleo. Além disso, ampliou o uso de drones marítimos e ataques de longa distância.
Mudança no cenário da guerra da Ucrânia
O avanço da tecnologia militar aparece também nas avaliações recentes sobre a situação da Rússia no conflito ucraniano. Conforme já explicado pelo O Brasilianista, Vladimir Putin já admite internamente a possibilidade de encerramento da guerra diante de mudanças no equilíbrio militar e econômico.
Entre os fatores apontados estão as perdas territoriais russas nos últimos meses e o aumento da capacidade tecnológica da Ucrânia. A retomada de áreas como Kupiansk e os ataques contra refinarias russas passaram a atingir diretamente uma das principais fontes de receita de Moscou.
Dados divulgados pelo Instituto para o Estudo da Guerra mostram que a Rússia perdeu o controle de áreas importantes ocupadas anteriormente. Além disso, autoridades ucranianas afirmam que o número de soldados russos mortos ou feridos continua elevado, enquanto a reposição militar enfrenta dificuldades.
Outro ponto observado é o crescimento da indústria bélica ucraniana. No início da guerra, Kiev dependia fortemente de ajuda externa. Agora, o país ampliou a produção própria de drones e mísseis, tecnologia que também começou a ser exportada para países do Oriente Médio.
Essa transformação alterou a dinâmica do conflito. Os ataques ucranianos passaram a atingir estruturas estratégicas russas em diferentes regiões, afetando exportações e pressionando o Kremlin em um momento de incerteza econômica.
Tensão no Oriente Médio preocupa mercado global
Enquanto isso, o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos segue provocando preocupação internacional por causa dos possíveis impactos econômicos globais.
Ainda de acordo com O Brasilianista, o especialista em investimentos e negócios internacionais Beny Fard avalia que o Irã mantém uma estratégia baseada em pressão indireta, utilizando aliados regionais e ações pontuais sem confronto militar direto de grande escala.
“O Irã, historicamente, tem essa característica de dialogar de forma diplomática, bem entre aspas, uma diplomacia tempocrática, que usa o tempo a seu favor”, afirmou.
Segundo ele, o risco de escalada continua elevado, principalmente após ataques com drones, mísseis e ameaças ao fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz. A região concentra parte significativa da produção mundial de petróleo e qualquer bloqueio pode provocar aumento imediato nos preços internacionais.
“A continuação de intervenções iranianas armamentícias, com mísseis, com drones, com obstrução de capacidade de escoamento produtivo […] pode fazer essa guerra escalar a níveis maiores do que nós já presenciamos”, explicou Fard.
O especialista também alertou para os efeitos econômicos indiretos. O aumento do petróleo pode atingir cadeias produtivas globais e provocar alta nos custos de fertilizantes, alimentos e produtos industriais.
“A gente vai ter um segundo choque econômico vindo no agro através desse repasse de custos de fertilizantes mais escassos”, disse.
Além da economia, a tensão geopolítica elevou preocupações com segurança internacional. Países passaram a ampliar monitoramentos em aeroportos, fronteiras e grandes eventos diante do risco de ações indiretas ligadas aos conflitos no Oriente Médio.

