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Política

Empresários temem mais o PT do que o Master?

Setor econômico vê desgaste causado por Daniel Vorcaro, mas ainda considera senador do PL como principal alternativa

Empresários temem mais o PT do que o Master?

O impacto da divulgação dos áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear Dark Horse ainda é totalmente desconhecido. Porém, desde o início da crise envolvendo o filme que contará a vida de Jair Bolsonaro potenciais investidores da campanha começaram a repensar eventuais aportes na campanha presidencial do senador.

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Após a divulgação de pesquisas mostrando que os efeitos iniciais da Crise Dark Horse ficou aquém do esperado, passaram a fluir informações, vindas principalmente de aliados de Flávio, de que o apoio do empresariado ao senador foi retomado.

O apoio do empresariado a Flávio Bolsonaro nunca deixou de existir, com ou sem Dark Horse. O problema com a candidatura do senador é sua viabilidade frente ao eleitorado após a divulgação das conversas em que o político chama de “irmão” o banqueiro que drenou R$ 50 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Tanto é que reportagem de O Globo mostrou que dois dos fatores que ancoram o apoio a Flávio são a ausência de uma candidatura competitiva à direita e a resistência histórica do setor empresarial ao PT. Parte desse grupo preferiria apoiar outro nome conservador, como Ronaldo Caiado, mas considera improvável o surgimento de uma alternativa eleitoralmente viável.

Empresários preferem as possibilidades de uma presidência de Flávio, com menos amarras trabalhistas e contrária ao fim da escala 6×1. a uma nova gestão de Lula, que usa a proteção aos trabalhadores como bandeira eleitoreira — que vai minar a produtividade nacional e afetar negativamente o mercado de trabalho nos próximos anos.

Escândalo aumentou rejeição de Flávio

Apesar da retomada do apoio de setores empresariais, pesquisas divulgadas após a exposição dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mostraram impacto direto na imagem do senador.

Análise publicada por O Brasilianista, mostra que o dono do Banco Master se tornou um dos principais problemas políticos da pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo levantamento citado na reportagem, a rejeição de Flávio subiu de 43% para 46% após a divulgação das conversas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao bolsonarismo.

A análise também aponta que Michelle Bolsonaro passou a ganhar força dentro do próprio campo conservador como alternativa eleitoral.

A ex-primeira-dama possui rejeição significativamente menor do que a de Flávio, mesmo ainda dependendo da decisão política de Jair Bolsonaro.

Direita tenta preservar eleitorado antipetista

Em entrevista para O Brasilianista, o sociólogo e cientista político Luiz Renato Ribeiro Ferreira afirmou que o caso envolvendo o Banco Master atinge mais diretamente a família Bolsonaro do que a direita como grupo político.

“Em um passado recente o bolsonarismo foi tratado como uma espécie de categoria política ou categoria de pensamento, que superava o sobrenome da família e se apresentava quase como um conceito, uma corrente política própria. Entretanto, os últimos movimentos e decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro enfraqueceram o ‘conceito’ e fortaleceram a ‘genética’, ou seja, aquilo que se apresentava como uma ideia demonstrou ser mais um projeto de poder familiar”, afirmou.

O especialista também avalia que o escândalo não desmonta automaticamente o eleitorado conservador.

“Portanto, o caso Flávio Bolsonaro enfraquece muito mais a família do que a direita como categoria política, uma vez que já é bastante notável a fratura do bolsonarismo, ainda tímida, é verdade, mas que deve se expandir nos próximos meses, uma vez que a união em torno de Flávio parece frágil”, disse.

Ainda segundo Luiz Renato, parte da estratégia de Flávio passa justamente pela tentativa de ampliar seu alcance além da base bolsonarista mais radical.

“Flávio Bolsonaro é a cópia do pai, embora com um verniz de mais educação e postura. Ele tem se esforçado em se apresentar como menos radical, pois precisa dos votos dos independentes e daqueles que se reconhecem de direita, mas não são bolsonaristas. Trata-se muito mais de uma estratégia eleitoral do que uma verdade em si”, afirmou.

Caso Master gerou reação seletiva entre aliados

A repercussão política do Banco Master também abriu disputas internas dentro da direita e da esquerda sobre a relação de figuras públicas com Daniel Vorcaro.

O Brasilianista apontou, que diferentes grupos políticos passaram a usar o caso contra adversários enquanto relativizam a proximidade de aliados com o banqueiro.

Integrantes do PT criticaram os áudios envolvendo Flávio Bolsonaro, mas evitaram comentar publicamente a reunião entre Lula e Vorcaro fora da agenda oficial.

Ao mesmo tempo, aliados do PL classificaram como “normal” o pedido de recursos feito por Flávio para o financiamento do filme “Dark Horse”.

A análise ainda lembra que o ex-governador Romeu Zema também passou a ser alvo de críticas após denúncias relacionadas à ampliação do crédito consignado ligado ao Banco Master em Minas Gerais.

Viagem internacional buscou mudar foco da crise

Em meio ao desgaste político, Flávio Bolsonaro intensificou agendas internacionais para tentar alterar o foco do debate público.

Segundo reportagem de O Brasilianista, a viagem do senador aos Estados Unidos foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de reposicionar sua imagem após o avanço das investigações envolvendo Daniel Vorcaro.

O texto afirma que a aproximação com Donald Trump e o discurso voltado ao combate ao crime organizado foram usados como forma de reforçar pautas tradicionais do bolsonarismo.

O Brasilianista também destacou que a tentativa de encontro com Trump também abriu disputa de narrativa entre governo e oposição.

Caso a reunião não acontecesse oficialmente, aliados do presidente Lula poderiam explorar o episódio como demonstração de isolamento internacional do grupo bolsonarista.

Na avaliação do cientista político Rodrigo Augusto Prando, citada pela reportagem, até mesmo uma conversa breve, como parece ser o caso, pode ser explorada politicamente no Brasil.

Mercado ainda teme retorno do PT

Mesmo diante do desgaste provocado pelo caso Master, a percepção predominante entre parte do empresariado continua sendo a de que Flávio Bolsonaro representa a alternativa mais competitiva contra Lula.

O cálculo político ocorre em meio ao avanço da polarização eleitoral e à dificuldade de consolidação de uma terceira via de direita ou centro-direita.

Para Luiz Renato Ribeiro Ferreira, o bolsonarismo ainda depende diretamente da figura de Jair Bolsonaro, mas já surgem novos nomes disputando espaço dentro do campo conservador.

“Eventualmente, eles poderão romper com a família para seguir sua vida própria. Fiquem de olho em Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Otoni de Paula”, afirmou.

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