Estava marcado para a última segunda-feira (25) o anúncio da tão aguardada aliança entre Arthur Lira e João Henrique Caldas. Porém, o encontro foi adiado e a percepção é de que alguns impasses estão dificultando essa aproximação, em especial a família Pereira.
O BNews Alagoas, parceiro do O Brasilianista, revelou que o que vem sendo comentado nos bastidores é que o maior problema seria a base de Lira. De acordo com essas fontes, alguns nomes importantes do grupo são contrários ao projeto de apoio a JHC. Esse grupo é constituído pelo núcleo mais delicado: a família Pereira.
Pauline Pereira, Peu Pereira e Fernando Pereira não demostram entusiasmo com a possibilidade de apoiar JHC. O problema não é só político e passou a infiltrar o campo pessoal e familiar. Apenas Jó Pereira aceitaria uma aliança com o ex-prefeito de Maceió.
Por outro lado, somente a ex-esposa de João Pereira, ,Izabelle Alcântara, que se mantém ao lado de JHC. Esse cenário indica uma dificuldade de aliança entre as relações pessoais e não profissionais.
JHC sem apoio
Outro que já teria manifestado seu desinteresse em embarcar na composição é Antônio Albuquerque, do União Brasil, que prefere concentrar forças em sua própria candidatura e no projeto político do filho, Nivaldo Albuquerque.
Aliado histórico de Lira, Luciano Barbosa tenta não se pronunciar, visto que qualquer movimento precipitado agora pode gerar desgaste dentro da própria base política em Arapiraca. Fábio Costa, do PP, também não estaria demonstrando grande entusiasmo com a composição.
Por que a aliança não deu certo?
No momento, não há indicações únicas ou claras sobre os motivos de falta de apoio a JHC. No entanto, uma das razões seria pelo ex-prefeito ainda não ter se posicionado publicamente em apoio a Flávio Bolsonaro após a eclosão do caso “Dark Horse”.
O apoio ao pré-candidato ao Palácio do Planalto seria uma condição vista como importante por setores bolsonaristas em Alagoas para adesão ao projeto do ex-prefeito de Maceió.
O filme “Dark Horse” narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral de 2022, tratada como uma jornada heroica. A trama deve mencioná-lo como combatente do tráfico de drogas. Entre os roteiristas está o ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias.
Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil mostram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que responde por uma fraude bancária bilionária e investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção, foi o principal financiador do filme. Ele também queria controlar a repercussão midiática do longa metragem.
Em negociações com o senador Flávio Bolsonaro, o empresário investiu cerca de R$ 134 milhões para a produção do longa. A confirmação dessas transações gerou forte crise para o parlamentar, que antes afirmava não ter qualquer vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master.
Vale lembra que não há informações sobre algum crime cometido por Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o envolvimento do banqueiro no filme pode gerar suspeitas sobre um possível financiamento ilícito.

