A taxa de subutilização da força de trabalho no Brasil ficou em 13,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice representa cerca de 15,7 milhões de brasileiros em situação de desemprego, subocupação ou desalento, mesmo em um cenário de taxa de desocupação relativamente baixa, de 5,8%.
O levantamento do IBGE também mostrou que a população ocupada no país chegou a 102,3 milhões de pessoas, enquanto o rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.732.
Apesar da melhora anual em alguns indicadores, o nível de ocupação teve leve queda no trimestre, passando de 58,7% para 58,4%.
Mercado mantém milhões fora do uso pleno da força de trabalho
Os dados da PNAD Contínua revelam que a subutilização permanece elevada mesmo após a redução da taxa de desemprego observada nos últimos anos.
O indicador considera pessoas desocupadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e aqueles que desistiram de procurar emprego.
O IBGE informou que a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas caiu para 4,2 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril. Ainda assim, o contingente segue elevado e mantém impacto direto sobre renda, consumo e produtividade econômica.
O levantamento também apontou estabilidade no número de empregados sem carteira assinada, que permaneceu em 13,3 milhões de trabalhadores.
Já a informalidade atingiu 37,2% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de brasileiros atuando sem vínculos formais.
Baixa eficiência amplia desperdício de mão de obra
O Brasilianista mostrou que produtividade não está ligada apenas ao volume de trabalho executado, mas à capacidade de transformar tempo, esforço e recursos em resultado efetivo dentro das empresas.
Segundo Bruna Alves, especialista em finanças e gestão empresarial, muitas empresas ainda confundem produtividade com jornadas longas e excesso de tarefas.
“Produtividade no pequeno negócio não significa trabalhar mais horas, correr o dia inteiro ou viver apagando incêndios. Significa transformar tempo, esforço e dinheiro em resultado real”, afirma.
A especialista explica que operações desorganizadas acabam desperdiçando capacidade produtiva mesmo quando há mão de obra disponível.
Nesse cenário, trabalhadores permanecem ocupados em atividades pouco eficientes, com baixa geração de valor e menor retorno financeiro.
Falta de estrutura reduz capacidade de crescimento
A ausência de processos organizados continua sendo um dos principais obstáculos para o aumento da produtividade empresarial no país. Sem padronização e gestão estruturada, empresas operam com maior retrabalho, perda de tempo e baixa eficiência operacional.
Bruna Alves avalia que muitos pequenos negócios ainda dependem exclusivamente da atuação direta dos proprietários para funcionar. Isso reduz a capacidade de expansão e limita ganhos de desempenho da equipe.
A especialista também observa que o acompanhamento de indicadores básicos ainda não faz parte da rotina de muitos empreendedores.
“Se o empresário trabalha cada vez mais e sobra cada vez menos dinheiro, existe um problema de produtividade”, ressalta.
Informalidade e desalento pressionam economia
Os números da PNAD também mostram que o mercado de trabalho brasileiro ainda convive com dificuldades estruturais para absorver plenamente a população economicamente ativa. O contingente de desalentados ficou em 2,6 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril.
Além disso, a população fora da força de trabalho chegou a 66,5 milhões de brasileiros. Parte desse grupo inclui pessoas que desistiram de procurar emprego ou não conseguem encontrar vagas compatíveis com sua qualificação e disponibilidade.
A combinação entre informalidade elevada, subocupação e baixa produtividade impacta diretamente a arrecadação, o consumo e a capacidade de crescimento da economia.
Trabalhadores em condições precárias tendem a ter menor renda, menor estabilidade financeira e menor acesso a crédito e proteção social.
Tecnologia e organização aparecem como alternativas
Segundo Bruna Alves, empresas que continuam dependentes de processos manuais acabam perdendo competitividade em um ambiente cada vez mais pressionado por custos e eficiência.
A especialista afirma que ferramentas de gestão financeira, controle de estoque e automação operacional ajudam a reduzir falhas e melhorar decisões estratégicas.
“Quem controla números controla o futuro da empresa. Quem ignora indicadores trabalha muito para crescer pouco”, afirma.

