O fechamento do Estreito de Ormuz, principal canal de transporte de petróleo do mundo, está espalhando suas consequências após três meses de guerra, marcados nesta quinta-feira (28). Nesta madrugada, ainda, os Estados Unidos fizeram nova ofensiva militar ao Irã, provocando mais instabilidade.
Os países em desenvolvimento estão sofrendo o impacto mais severo da escassez de produtos que vão além do petróleo: a crise energética impede o fornecimento de alimentos, recursos de tecnologia e até mesmo industriais.
Reportagem do The New York Times revela que, antes da guerra, aproximadamente um quarto do petróleo bruto transportado por via marítima e um quinto do gás natural liquefeito do mundo passavam pelo estreito. A região também está entre os maiores fornecedores mundiais de produtos derivados de petróleo e gás, incluindo fertilizantes e nafta , um líquido usado em tudo, desde filme plástico até tintas industriais.
A crise chega, em boa parte do mundo, também pelos choques de preços. A escassez física de suprimentos afetou economias em toda a Ásia. Os países em desenvolvimento, especialmente na Ásia, foram os mais atingidos, já que a falta de petróleo, gás e seus derivados prejudicou desde a agricultura e o preparo de alimentos até exames médicos.
Petróleo e gás natural liquefeito
O petróleo bruto e o gás natural liquefeito são os principais insumos que não conseguem circular pelo Estreito, impedindo o envio de materiais energéticos para os países. Os choques de oferta mais visíveis no início da pandemia atingiram o petróleo bruto e o gás natural liquefeito.
O NYT mostrou que o Japão, por exemplo, viu suas importações de petróleo bruto despencarem 67% em abril, comparado aos 90% que geralmente compra. Singapura, por sua vez tem 95% da sua eletricidade movida por gás natural que importa, em boa parte, do Catar.
Algumas nações estão precisando recorrer as suas reservas estratégicas para manter a demanda. Em Bangladesh, Vietnã e Filipinas, por exemplo, os governos estão impondo apagões e racionamento obrigatório de energia.
Tecnologia ameaçada
A guerra afeta também não apenas o transporte de elementos essenciais para indústrias de tecnologia, como os chips, mas os derivados do gás natural que podem ajudar a resfriar máquinas e datacenters.
Isso pode causar problemas operacionais nos computadores e máquinas de segurança, por exemplo.
Fertilizantes e os alimentos
A interrupção do estreito ainda traz problemas para o transporte de fertilizantes, de principal abastecimento do Oriente Médio. Sem o envio desses produtos, as plantações ao redor do mundo ficam mais influenciadas pelo clima e outras variáveis, podendo diminuir a produção de alimentos.
Assim, os preços de alimentos sobem em diversos países ao passo em que a produção de fertilizantes cai.
Escassez de nafta
O mundo se aproxima de uma “zona vermelha” de escassez de nafta, um derivado do petróleo essencial para a indústria petroquímica. É por meio desse elemento que é realizada a fabricação de plásticos, solventes e produtos químicos fundamentais.
A escassez tem sido especialmente acentuada no Leste Asiático. O Japão e a Coreia do Sul dependem fortemente das importações do Catar e do Kuwait, que não conseguem exportar devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Até mesmo a nafta processada pelas refinarias asiáticas muitas vezes provém do petróleo bruto transportado pelo estreito.

