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Economia

Acordo bilionário da Raízen pode redefinir o futuro da empresa e de seus credores

Companhia negocia uma dívida de R$ 65 bilhões e tenta concluir a recuperação extrajudicial até o início de junho

Acordo bilionário da Raízen pode redefinir o futuro da empresa e de seus credores

A Raízen intensificou as negociações com credores para fechar um acordo de recuperação extrajudicial que envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

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A expectativa é que as tratativas avancem até o fim de semana para que o plano seja protocolado dentro do prazo legal previsto para o processo.

Como informou o Valor Econômico, a empresa mantém uma agenda de reuniões com diferentes grupos de credores e busca consolidar apoio suficiente para aprovar a proposta.

Entre os participantes das negociações estão bancos, detentores de debêntures, investidores de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) e credores internacionais.

O que está sendo negociado

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a renegociação de passivos sem a necessidade de um processo formal de recuperação judicial. Nesse modelo, a companhia apresenta um plano aos credores e precisa obter adesão mínima para validar o acordo.

A proposta atualmente em discussão prevê a conversão de aproximadamente 45% da dívida em participação acionária. O saldo restante seria reestruturado e transformado em uma nova obrigação financeira com vencimentos mais longos.

Um dos ajustes feitos durante as negociações envolveu as condições oferecidas aos detentores de títulos emitidos no exterior. Após questionamentos apresentados por esse grupo, as taxas previstas no plano foram revisadas para patamares próximos de 8%.

O plano também contempla um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, sócia da Raízen ao lado da Cosan. O cronograma atual prevê que o acordo seja concluído e protocolado até 8 de junho.

Pressão financeira e reorganização

A recuperação extrajudicial foi iniciada em março deste ano após o aumento da pressão financeira sobre a companhia. O processo busca reorganizar o passivo acumulado ao longo dos últimos anos e criar condições para o equilíbrio das contas.

O Brasilianista mostrou que a dívida da empresa ultrapassa R$ 65 bilhões e que parte da estratégia de recuperação depende da participação direta dos acionistas na reestruturação financeira.

O aporte da Shell tem sido um dos fatores considerados centrais nas negociações. A injeção de recursos é vista por credores como um sinal de comprometimento dos controladores com a recuperação da companhia.

Outro ponto relevante envolve a governança da empresa. Parte dos credores demonstrou interesse em discutir mudanças na gestão durante as conversas sobre a reestruturação financeira.

O empresário Rubens Ometto afirmou que pretende permanecer na administração da companhia e declarou que a Raízen possui ativos capazes de sustentar a recuperação da empresa no longo prazo.

Relações comerciais também estão sob atenção

Além das negociações com credores, algumas operações comerciais da companhia têm sido acompanhadas por agentes do setor de combustíveis.

Uma parceria firmada entre a Raízen e a Federal Energia passou a gerar questionamentos de concorrentes. O foco das críticas está nos créditos tributários obtidos judicialmente pela distribuidora, estimados em aproximadamente R$ 980 milhões.

A Federal Energia comercializou mais de 125 milhões de litros de combustíveis para a Raízen e uma subsidiária da companhia entre junho e outubro de 2024.

A distribuidora possui uma decisão judicial que lhe garante créditos relacionados a PIS e Cofins. Esses recursos podem ser utilizados para compensação tributária, permitindo condições comerciais diferentes das praticadas por parte do mercado.

A situação levou concorrentes a questionarem possíveis impactos concorrenciais decorrentes da parceria. As críticas envolvem principalmente a possibilidade de comercialização de combustíveis com preços inferiores aos observados em outras operações do setor.

Histórico de controvérsias

A discussão em torno da Federal Energia também trouxe à tona um longo histórico judicial relacionado aos créditos tributários da empresa.

O processo teve início em 2008 e passou por diferentes instâncias da Justiça até chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após anos de tramitação, a companhia conseguiu o reconhecimento do direito aos créditos, que posteriormente resultaram na expedição de um precatório.

A Raízen já havia tentado realizar uma operação semelhante anteriormente. Em 2022, a companhia iniciou negociações para adquirir a Fan, empresa que possuía situação tributária considerada semelhante.

O negócio chegou a ser submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas acabou sendo encerrado antes da análise do órgão regulador após questionamentos apresentados por empresas concorrentes.

Em nota reproduzida pelo O Brasilianista, a Raízen afirmou que mantém relações comerciais com diferentes fornecedores estabelecidos no mercado brasileiro e declarou que todas as operações seguem a legislação tributária vigente. A companhia também informou que sua atuação é pautada por práticas de compliance, governança e integridade corporativa.

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