De acordo com dados das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (29), o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro mostrou um certo fôlego no início de 2026. Em relação ao último trimestre de 2025, a atividade econômica registrou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre deste ano.
No total de quatro trimestres, o PIB obteve um crescimento de 2%. Além disso, ainda segundo o instituto, o PIB relacionado ao primeiro trimestre de 2026 teve um total de R$ 3,3 trilhões. A partir desses dados, três setores saíram com um saldo positivo: serviços (0,5%), indústria (1%) e agropecuária (2%).
Surpresa para o mercado
Para dar mais detalhes sobre esses resultados e falar sobre as expectativas do mercado diante disso, o economista, sociólogo, professor de Mercado Financeiro da UnB, conselheiro do Corecon DF e sócio diretor da OpenInvest, César Bergo, concedeu entrevista exclusiva para O Brasilianista. O especialista falou sobre o entendimento do mercado e a reação após a divulgação dos resultados.
“O PIB divulgado hoje pelo IBGE surpreendeu o mercado positivamente. O mercado entendia que o crescimento ficaria em torno de 0,9%, veio 1,1%. Um destaque para o agronegócio e indústria, ficando o serviço um pouco atrás. 70% das atividades econômicas são de responsabilidade do setor de serviço. Portanto, quando ele vem baixo, acaba comprometendo todo o PIB”, afirma.
Sobre os resultados registrados dos setores, o sociólogo destacou o desempenho negativo das exportações, citando o caso do petróleo e na ajuda da indústria extrativa perante os números.
“As exportações não tiveram bom desempenho, embora tenham de alguma forma, ajudado o Brasil, sobretudo na exportação de petróleo. Portanto, a indústria extrativa ajudou bastante esses números que foram divulgados”, disse o especialista.
Impacto no setor de serviço
Ainda sobre o assunto, Bergo fala sobre qual foi o setor com maior impacto no crescimento econômico nesse primeiro trimestre, destacando o desempenho positivo por parte da agropecuária, que é algo comum em todos os anos.
“Não tem a menor dúvida que o impacto maior no crescimento econômico está no setor de serviços, pois a agropecuária mostrou um ótimo desempenho no primeiro trimestre, como sempre faz todos os anos, mas o serviço ficou devendo”, pontua o economista.
Além disso, ele ainda falou sobre as expectativas para os próximos meses, ainda mais por se tratar de um período eleitoral, principalmente para o setor de consumo e serviço. O especialista ainda fez uma projeção para um possível crescimento até o fim do ano.
“A expectativa para os próximos meses, em função inclusive do ano eleitoral, onde o governo vai gastar mais, é que esse setor de consumo e serviço deve ser de alguma forma ajudado, para que a gente possa chegar ao final do ano num crescimento próximo a 1,8%”, disse.
Taxa de juros elevadas
César Bergo ainda completou falando sobre o crescimento médio mundial e como o Brasil se encaixa nisso, comparando com as atividades econômicas do trimestre anterior. O economista citou as atuais situações geopolíticas e como esse crescimento representa um fator importante.
“O Fundo Monetário Nacional coloca um crescimento médio mundial de 3,1%. O Brasil está abaixo dessa média, mas, de qualquer forma, não deixa de ser um alento, pois as atividades econômicas comparadas ao trimestre anterior, de 2025, mostraram-se positivas e crescendo. Isso é um fator importante nesse cenário de situações geopolíticas internacionais complicadas, com inflação aumentando e com taxa de juros bastante elevada. Esperamos que esse crescimento permaneça até o final do ano, para que a gente possa ter uma economia mais forte”, completa.

